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Cat�strofe humana

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HUMBERTO MARTINS * A guerra do Golfo está provocando uma das maiores catástrofes humanas da história recente. A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Refugiados Internacional ? uma das mais conceituadas entidades que cuidam de problemas de refugiados ? calculam em 3 milhões e 500 mil o número de indivíduos que serão deslocados como conseqüência das hostilidades. Turquia, ao Norte, e Irã, ao Sul, países vizinhos do Iraque, deverão receber quase a metade desse contingente: algo em torno de 1 milhão e meio de pessoas. A ONU, através da maioria das nações que a integram, não aprovou a nova Guerra do Golfo. Muito pelo contrário, desenvolveu consideráveis esforços para evitar que ela fosse deflagrada. Mas será responsável pelas suas conseqüências. Fez esforços, nas últimas semanas, para arrecadar mais de US$ 60 milhões, com o que poderia atender cerca de 600 mil refugiados. Segundo Yusuf Hassan, porta-voz do Alto Comissário da ONU, a entidade que congrega as nações ??não tem a menor condição de lidar com a tragédia que vai resultar dessa guerra. Estamos dizendo isso desde outubro, sem obter resposta?. Do que foi arrecadado até agora, a maior parte dos recursos foi doada pelos Estados Unidos, o que era esperado, uma vez que o próprio Estados Unidos é o principal responsável pela guerra contra o Iraque. O Irã está se preparando para receber 200 mil refugiados. ?Os demais que para aqui vierem, ficarão sem assistência?, disse uma fonte do governo de Teerã. O Iraque tem uma população estimada em 23 milhões de habitantes. E os grandes deslocamentos humanos decorrentes da conflagração já são uma realidade. Apenas os refugiados que deixarão Bagdá, capital iraquiana, temerosos dos bombardeios, são estimados em 1 milhão de pessoas. Em nações vizinhas ao Iraque, que não estão diretamente ameaçadas pelo conflito, a ONU espera acumular alimentos que sejam suficientes ao menos para dois meses de assistência aos refugiados. A Jordânia é uma dessas nações. Uma tonelada de comida é suficiente para alimentar 60 pessoas durante um mês, segundo estimativas da ONU. Como principal idealizador da nova guerra do Golfo, os Estados Unidos contribuíram de maneira expressiva, em termos financeiros, para a assistência aos refugiados. Mas as preocupações com os aspectos bélicos da questão adiam as avaliações relacionadas com o day after. Experts consultados em Washington D.C., capital norte-americana, afirmam que ?não há, até aqui, comissões organizadas para discutir pontos cruciais do Iraque pós-guerra??. Desde a primeira guerra do Golfo, há, portanto, 12 anos, mais de um terço da população sobrevive com alimentos fornecidos pela ONU, através do governo. Esses alimentos eram adquiridos com a venda limitada de petróleo, suspensa há alguns dias. Esse é mais um complicador para o quadro calamitoso que se desenha no Iraque e nas suas adjacências, habitados por populações paupérrimas,. A guerra sempre provoca a catástrofe humana, com reflexos irreparáveis para todo o planeta. Nas relações internacionais deve prevalecer o respeito aos direitos humanos, ressaltando os princípios de não-intervenção e da solução pacífica dos conflitos, o que não foi acatado pelos Estados Unidos da América ao arrepio da decisão da ONU, merecendo, assim, o repúdio da quase totalidade das maiores nações do mundo. Os Estados Unidos ao deixar à margem as relações diplomáticas, enveredando para o uso da força militar, em verdade, rasgou tratados e convenções internacionais. Afrontar decisão da ONU é um perigoso precedente, que pode servir de exemplo para outros países, com conseqüências trágicas para a paz dos povos. É uma verdadeira utopia se matar em nome da paz e se fazer guerra em nome da democracia. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/ALAGOAS

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