Opinião
Exprimir com coragem serena a própria fé
Vivemos num mundo plural, numa sociedade na qual quase tudo é permitido e o exótico é elogiado. Chegamos a um ponto tal de estar a um milímetro do solipsismo absoluto: cada qual vive no seu mundo, com suas ideias e achismo, de modo a ser quase impossível uma verdadeira comunhão de vivida, de valores, de propósitos de ideais... E, num mundo assim, de tempos assim, o cristão, com sua fé e esperança no absoluto de Deus, deve ter claro que é a conivência com a atração constante do mundo, do seu fascínio, que faz sufocar o amor, a esperança e a fé em Deus, a ponto mesmo de se sentir vergonha de pertencer ao Povo eleito, à Igreja dos que foram chamados em Cristo Jesus! Quantas vezes Israel correu o perigo de perder-se, de separar-se do seu Deus, de ficar sem seu maior tesouro, razão de sua existência! Não acontece também conosco: a tentação de ser como os outros? Não há tantos que sugerem isto à Igreja: agradar ao mundo, pensar como o mundo, desposar e aprovar as modas do mundo, esquecendo a aliança com o Senhor e o sangue precioso do Salvador, preço da nossa salvação? Quantas vezes tivemos secreta inveja dos pagãos, que vivem bem, que fazem a farra da vida, que vivem como bem querem e entendem! Quantas vezes sentimos os preceitos do Senhor como um fardo pesado e o carregamos com tristeza! Quantos de nós se vendem para viver mundanamente e disso fazem propaganda e chamam de retrógrado, reacionário, aquele que deseja realmente ser fiel! Que tempos: muitos têm vergonha de viver retamente e muitos outros se gabam e se jactam de viver na impiedade, ainda que tenham o nome de cristãos! Mas, a Palavra do Senhor é firme, límpida, cortante: ?A Minha escolha vos separou do mundo!? (Jo 15,18) E isto ecoa como certeza iluminadora no coração de cada verdadeiro cristão: ?Se eu quisesse agradar ao mundo não seria discípulo de Cristo!? (Gl 1,10).