Opinião
O nome das coisas
Em 2013, quando o governo do PT lançou o programa Mais Médicos, naturalmente não agradou os doutores brasileiros. Apesar de toda categoria ter seu grau de corporativismo, a resistência foi extremamente tímida. Duvido que um programa que contratasse juízes e promotores entre estudantes não aprovados na OAB, para atuarem na Amazônia ganhando bolsas de estudo, seria tratado apenas na base da cara feia e xingamentos em redes sociais. Na época, ponderei que apesar das reclamações, os médicos brasileiros pouco fizeram para resolver a má distribuição dos profissionais e levar saúde aos rincões do Brasil e que, por isso, tinham pouca moral para reclamar. Alertei, porém, que o programa Mais Médicos tinha dois problemas centrais. O primeiro e bastante conhecido é a exploração dos ?médicos? cubanos. A iniciativa de dar preferência a eles, ao mesmo tempo que proibia milhares de Brasileiros formados fora do País de ingressar, sempre foi suspeitíssima. Depois, surgiram as acusações de corrupção entrelaçando A ditadura Castro e o PT e agora são os próprios cubanos que entram com ações na Justiça brasileira alegando escravidão. O segundo problema era o nome. Pode parecer bobagem, mas não é. Se o programa se chamasse Mais Saúde e fosse franco ao dizer que levaria aos desvalidos profissionais com algum preparo em medicina e que isso era melhor que o nada que eles tinham antes, eu não faria oposição. Mas que político bancaria admitir que rico tem direito a médico de verdade e pobre não? É justamente aí que mora o perigo. Agora o governo Temer quer criar os planos de saúde populares. Alegam que é melhor o pobre ter direito a migalhas de atendimento que depender exclusivamente do SUS. Será? Estamos diante de mais um caso onde o nome faz toda a diferença. Se o novo modelo se chamasse Plano Consulta e ficasse claro que quem o adquirir não terá verdadeiramente um plano de saúde, o que significa que quando realmente ficar doente e precisar vai ter que sofrer no SUS do mesmo jeito, então tudo bem. Aliais, esse tipo de negócio já existe e funciona muito bem. Por que então criar a entidade plano de saúde popular? Essa nova medida visa apenas criar condições imorais para as grandes operadoras ludibriarem os consumidores e devorarem um novo mercado que vem sendo operado por inovadores empresários que entregam o que o povo quer e pode pagar, mas sem criar falsas expectativas em ninguém.