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Opinião

Dois séculos de amizade...

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Sempre imaginei fossem as pessoas como pássaros, chegando, não se sabe de onde, e, algumas, de forma passageira e fugaz, afastando-se ao final do interesse ou permanecendo em derredor, como bichos empalhados em museu, sem nada a acrescentar. Outras, porém, se aninhando em nossos corações e, mesmo não existindo convívio habitual, como antigamente, suas asas batem, gerando energia tão forte capaz de caracterizar o significado da palavra amigo. Em minha vida, como estudante universitário, convivi com grandes figuras. Três delas se tornaram inesquecíveis em minha caminhada. Juntos, éramos como os três mosqueteiros de Alexandre Dumas. Se os heróis, integrantes do corpo de elite dos guardas da França no século XVII, tinham por nome Athos, Porthos, Aramis e Dartagnan, nós éramos Carlão, Marcos Braga, Carlos Florêncio e Rostand. Os quatro franceses enfrentaram grandes aventuras, a serviço do Rei Luís XIII, ?o Justo?, e, nós, enquanto alunos do curso de Engenharia Civil da Ufal, sempre juntos, pintamos e bordamos, na expectativa de atingirmos objetivos e sonhos. Noites mal dormidas, em busca de aprender mais, participação em jornadas esportivas nas quadras e campos da cidade, viagens para outros estados e festinhas, as mais variadas, quando nos divertíamos ao extremo sempre de forma moderada, fixaram a certeza de, a cada dia, podermos nos considerar verdadeiros amigos, às vezes até nos chamando de irmãos, pelo simples fato de nos gostarmos mutuamente, de forma singela e como sempre fomos, com defeitos e qualidades, como ocorre com a maioria dos integrantes da própria família. Ao colarmos grau, cada um tomou seu destino e novamente, como pássaros, tivemos a liberdade de voar por diferentes horizontes, podendo pousar onde o coração quisesse. Aparentemente, o quarteto fantástico se afastou. Crescemos profissionalmente, Florêncio desbravou a Amazônia, Carlão conquistou o Rio de Janeiro, enquanto Marcos Braga e eu, após muitas idas e vindas, por estados do Brasil e países do mundo, optamos por nos fixar em Maceió, coincidentemente como docentes da Universidade Federal de Alagoas, onde um dia eclodira a estima vivenciada pelo grupo. O tempo passou. Dias atrás, conseguimos nos reunir mais uma vez, agora já sessentões: juntos, somando mais de dois séculos de vida e amizade. Sentados em uma das mesas do restaurante Massarela, conversamos. Éramos, naquela noite, jovens outra vez, relembrando histórias incríveis, algumas científicas, outras picantes, mas, todas, inesquecíveis. Rimos muito, juntos, agradecendo por estarmos bem. Ao final, após, registrar em meu celular a foto histórica do encontro, já retornando para casa, senti-me feliz e realizado, pois, tivera a certeza de que, amigos verdadeiros, são para sempre, não importando a distância física, a separá-los. No coração sempre estaremos juntos, apesar das diferenças, porque, em nossos sorrisos, residirão os pontos de acordo. É como já disse um poeta: ?Amigos! Que restem poucos, mas somente os verdadeiros, que sejam leais e até loucos... mas que, mesmo longe, sejam companheiros?.

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