Opinião
A inteligência artificial não mais como ficção
Sempre gosto de repetir que 2001 não foi ?uma odisseia no espaço? como previu o filme de Stanley Kubrick, lançado em 1968, que mereceu o Oscar de Efeitos Especiais. Entramos no terceiro milênio com certa decepção pela paisagem urbana remanescente e até pelo bug do milênio que não aconteceu, assim como o fim dos tempos. De qualquer forma, vivemos ainda hoje uma era apocalíptica, em que a cada ou com a ocorrência de qualquer fenômeno natural é alardeado algum perigo iminente para a humanidade. Desde o início da Revolução Industrial, da mecanização e da substituição do trabalho braçal pelas máquinas, o homem tem estado em polvorosa, imaginando seu futuro. E o século 20 não deixou por menos, produziu os maiores inventos que hoje alcançam a perfeição no século 21. E talvez o maior deles seja o computador, que contrariou totalmente as previsões: ?Eu acredito que há mercado para talvez cinco computadores? (Thomas Watson, presidente da IBM em 1943). Isto falando dos centros de processamento de dados. Porém, sobre o PC, o computador pessoal, os vaticínios são ainda mais absurdos: ?Não há nenhuma razão para alguém querer um computador em casa? (Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp. em 1977). E agora surge a ameaça da Inteligência Artificial ser colocada em prática. ?Inteligência artificial pode substituir todos os humanos?, diz Stephen Hawking. Para quem assistiu: Uma Odisseia no espaço (1968), Blade Runner (1982), Exterminador do Futuro 2 (1991), Matrix (1999), Inteligência Artificial (2001) e Ex Machina (2015), o que seremos nesse futuro tão próximo? Mesmo ainda a caminho desta realidade, nos deparamos, em nosso dia a dia, com novidades tecnológicas que nos deixam atônitos. Uma delas é o revisor de texto do celular, que tenta adivinhar a palavra que estamos apenas começando a escrever. O leitor já deve ter observado que, se fizer uma pesquisa de um produto para compra, a oferta do produto aparecerá em todas as suas buscas. Isso dura dias, sem que você possa impedir. A minha pergunta é simples: Quem irá usufruir de toda essa avançada tecnologia se 2 bilhões de pessoas vivem na mais horrenda miséria? Acreditamos que a inteligência artificial está acompanhada do conhecimento específico ou universal, em que o foco principal está nas tomadas de decisões. Razão pela qual entendemos que a ameaça atual não se impõe aos operários nem aos agricultores, mas aos médicos, advogados, engenheiros, arquitetos e aos próprios cientistas construtores dessas máquinas. Uma nova gênese e um novo criador, numa visão cartesiana desse futuro, será própria Revolução Cibernética, controlando o que restar da humanidade.