Opinião
A velha política
O assassinato do vereador Adelmo Rodrigues de Melo, 61 anos, o Neguinho Boiadeiro, e o atentado contra o pecuarista José Emílio Dantas no mesmo dia, na cidade de Batalha, acendeu o sinal amarelo da área de segurança pública e trouxeram de volta à cena a preocupação com a violência política no Estado. Como mostra reportagem especial nesta edição da Gazeta, o Tribunal de Justiça, o TRE e a Procuradoria da República analisam o clima pré-eleitoral e já admitem reforço na segurança com tropas federais. Pelo menos em Batalha, já é dada como certa a presença de força federais. O pedido de reforço federal em Alagoas no período das eleições não é algo novo. Ao contrário, tem sido, em diversas ocasiões, uma medida adotada pela Justiça Eleitoral quando a temperatura política subia a níveis perigosos em alguns municípios. Em 2016, quatro candidatos eleitos foram alvo de violência menos de uma semana após as eleições, em municípios como São Luís do Quitunde, Campo Grande, Porto Calvo e Olho d?Água Grande. Aliás, é de lamentar que a história de Alagoas esteja marcada pela violência política, que assume configurações bem particulares. Alguns autores destacam as relações de poder estabelecidas ainda no período colonial e na Primeira República, em que o coronelismo assumiu grandes proporções. Os chefes políticos da época praticamente assumiam a função de delegado, juiz e promotor, punindo de várias formas ? muitas vezes até com a morte ? aqueles que ?rezassem fora de suas cartilhas?. Mantinham seus currais eleitorais controlados a ferro e fogo, elegendo-se ou mantendo no poder seus prepostos, ao mesmo tempo em que ameaçavam qualquer tentativa de contestação. A época dos antigos coronéis ficou no passado, mas muitas práticas permanecem. Em algumas regiões, famílias disputam ferozmente o poder, trocando a retórica e o embate de ideias pela intimidação física e moral, ou, às vezes, pelas balas. Os novos ?coronéis? da política mantêm municípios como uma espécie de feudo. Como já foi dito neste mesmo espaço, os últimos acontecimentos são um desafio para os poderes constituídos e motivo de preocupação para toda a sociedade. Cabe à área da segurança pública investigar a fundo e punir os responsáveis pela violência e coibir novos atos dessa natureza. É o que esperam os alagoanos.