Opinião
Um território de babacas?
Nós que lemos, assistimos e ouvimos os meios de comunicação buscando informação sobre o que acontece no universo político, econômico e social do País ficamos tristes, com sensação de que somos um bando de trouxas. Vivemos num território de babacas que nada entendem, não sabemos bulhufas. Simplesmente ignoramos tudo e aplaudimos com risos as palhaçadas do grande circo oficial. O silêncio das massas denuncia certa tolerância com a bandalheira institucionalizada. Ao escrever esta coluna expressamos sentimentos do cotidiano, dividindo-os com os leitores semanalmente. Sentimentos que coincidem com a aflição de tantos manifestados neste espaço. As palavras, entretanto, não podem ser ditas pelo tamanho da emoção, daí temos o cuidado de não transformá-las em ofensas ou incorrer em injustiça. Ninguém pode ser juiz do outro. Mesmo estando numa república movida a total desregramento moral, verdadeiras organizações criminosas alimentadas por mentiras, falsidade, desprezo com os ?infelizes? eleitores, a maioria que trocou seu voto por um par de Havaianas em seguidas eleições, indiferentes à grande tragédia nacional. Não podemos julgá-los, culpá-los e condená-los, afinal são apenas massa de manobra do populismo e da violação dos direitos de cidadão que lhes são negados há séculos. Diz a história que o alagoano Domingo Fernandes foi o grande traidor do Brasil por ter ajudado a Holanda a invadir o Nordeste, em 1632. Foi preso, condenado à forca e esquartejado. Os Calabares do século XXI nos traem à luz do congresso e dos palácios, reinam sob a proteção da impunidade, criam suas próprias leis em defesa das ambições pessoais. Deputados e senadores eleitos democraticamente pelo voto deixam seus estados pobres, levam na bagagem um caminhão de dívidas, perpetuam-se no poder e voltam milionários, bilionários; governadores e prefeitos massacram seus governados tirando-lhes os mínimos direitos de cidadania confiscando até o mísero salário do servidor público para robustecer seu patrimônio, banharem suas divinas damas de ouro e brilhante, decorar a garagem das mansões ?sheikianas? com maravilhas de carros importados. Nas assembleias legislativas e câmeras de vereadores, os ?representantes? do povo mandaram as favas ? Lava Jato, Taturana, Sanguessuga, Sururugate e até a PF não os assustam mais. Não há barreira que intimide o ímpeto da ganância e poder. Sinceramente, não sei até quando seremos submissos a essa maldição! Apesar dos exércitos de movimentos sociais, seitas que chamam de partido, dos ídolos de barro; donos de sindicatos agora menos endinheirados; dos descamisados e sobreviventes do Bolsa Família (programa que também contempla poderosos), dos explorados e injustiçados, é preciso que povo reaja. Os que trabalham duro diuturnamente, pagam impostos, geram empregos, cuidam das suas famílias, sofrem com a indecência da saúde e com as dificuldades para educarem seus filhos; aqueles que pagam o preço de um transporte desumano, da violência banalizada, do discurso factoide de governantes em véspera de eleição. Só os enfermos ideológicos não percebem que é hora de gritar, xingar, continuar nas ruas e dizer: ?Basta, eu votar para mudar!?