Opinião
Reanimando os desanimados
Vivemos em nossa sociedade brasileira momentos difíceis que afetam a família, a sociedade, a política e a própria igreja. Em momentos assim, muitas vezes há um desânimo coletivo, uma espécie de depressão nacional. Algo assim vivenciou o povo de Deus, lá por volta do ano 450 antes de Cristo. Estavam voltando do cativeiro na Babilônia. Diante deles, apenas ruínas. Jerusalém, a cidade santa, e o templo, nada mais eram do que um montão de pedras. E agora o povo estava diante destes escombros com a incumbência de reconstruir tudo. Não sabiam o que e como fazer, nem por onde começar. Estavam desolados e desanimados. Ainda por cima estavam rodeados de vizinhos inimigos que de jeito nenhum queriam ver a reconstrução da cidade. Até os mais corajosos estavam desanimados. Aí começaram a ficar indiferentes, deixando a vida passar, desejando apenas que os inimigos os deixassem em paz. Longe dali, lá na Babilônia, vivia Neemias, israelita, alto funcionário do governo da Babilônia. Era o homem que Deus precisava. Por seu sentimento patriótico, por seu espírito de liderança e capacidade administrativa, mas muito mais por sua dependência de Deus. Era homem temente a Deus e homem de oração. Não tomava iniciativa alguma sem orar ao Senhor. E todo seu sucesso atribuía sempre a Deus. Estava consciente de que a vida e a história da humanidade estão nas mãos de Deus. Mesmo os atos mais corriqueiros e banais do dia a dia pessoal, religioso ou nacional. Neemias pediu permissão ao seu senhor, o rei, para ir à sua terra para reconstruir pelo menos a sepultura de seus antepassados e os muros da cidade, para protege-la dos inimigos. O rei sensibilizou-se e não só permitiu que ele fosse, mas deu-lhe todo o apoio financeiro, político e militar, para tal empreitada. Com a chegada de Neemias um verdadeiro milagre acontece. Neemias conta ao povo ?como a boa mão de Deus estivera com ele? e o abençoou e preparou o caminho para que enfim se reconstruísse a cidade e o templo do Senhor. Ouvindo isso até os mais desanimados se reanimaram e todos disseram: ?Vamos começar sem demora a reconstrução!? E um verdadeiro mutirão de voluntários se pôs a reconstruir os muros da cidade, cada família construindo a parte em frente a sua própria casa. Os inimigos não deixaram de incomodar. Mas pior do que estes eram alguns do próprio povo, acovardados, pessimistas e preocupados apenas consigo mesmos, que exerciam uma influência negativa sobre os demais. Mas os que se dispuseram a trabalhar continuaram firmes e levaram a cabo a obra num tempo recorde e impossível para as condições humanas reinantes. E aí está a lição! Quando nos colocamos humildemente sob a orientação de Deus, então não há derrotismo, não há empecilhos intransponíveis. Que Deus nos conceda o mesmo ânimo, coragem e empreendedorismo de Neemias, a fim de reconstruirmos, solidariamente, sempre de novo, uns aos outros e, juntos, nossa família, nossa sociedade, nossa Nação.