Opinião
Escassez
De acordo com as Nações Unidas, até o ano de 2030, a demanda por água no mundo deve subir em 50%. De todo o esgoto gerado pela população mundial, 80% retornam para a natureza sem nenhum tratamento. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, apenas 50,3% do esgoto doméstico são coletados no País. Isso significa que cerca de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a esse serviço. Além da poluição, a escassez de água é outro problema. De acordo com a ONU, dois terços da população mundial sofrem com falta de água. O cenário é ainda mais preocupante quando a perspectiva é que em 2030, 70% da população mundial se concentrará nas cidades, isso aumentará a demanda por água. Apesar de o Brasil apresentar quase um quinto das reservas hídricas do mundo, a falta de água vem se tornando realidade em várias regiões. A partir de 2014, o País começou a sofrer uma das maiores crises hídricas de sua história. Com um problema grave de seca e também de gestão dos recursos naturais, o País vem apresentando níveis baixos em seus reservatórios em épocas do ano em que eles costumam estar bem mais cheios. É bom lembrar que uma crise da água também pode transformar-se em uma crise energética, já que boa parte da eletricidade produzida no Brasil vem das usinas hidrelétricas. Entre as causas desse fenômeno estão a degradação dos rios e reservas de água, a remoção da matas ciliares, a falta de chuvas, com índices de precipitação muito abaixo da média e a má gestão dos recursos hídricos. Alguns estudos indicam que os episódios de falta de recursos hídricos devem se repetir nos próximos anos. Além disso, a água não é igualmente distribuída no território brasileiro. No Sudeste e Nordeste, onde está concentrada a maior parte da população e atividades industriais, existem poucas reservas hídricas. A falta de consciência ambiental, que leva ao desperdício e à poluição dos mananciais, afeta a preservação e compromete o futuro das próximas gerações. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada R$ 1 investido em saneamento, obtém-se economia de R$ 4 em relação à saúde da população. Por isso, o uso racional da água é imprescindível para a sustentabilidade e vai além das questões políticas e econômicas. Não basta, porém, as ações do poder público. A gestão integrada dos recursos hídricos requer a participação de todos.