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Opinião

A inquisição do silêncio

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Quando se fala sobre Inquisição, à mente vêm inúmeras imagens como morte através das torturas; prisão perpétua; crueldade; julgamentos sem piedade, onde nenhuma heresia escapava; perseguição daqueles que pensavam de um modo diferente ao ensinado pela Igreja, especialmente intelectuais e cientistas; caças às bruxas; confisco de bens e tantas outras questões. O tema precisaria de um complexo de luzes, mas façamos algumas ponderações aqui. O valor da fé era ligado a um bem-estar social. Então, um heresiarca comprometia o bom convívio das pessoas, a paz e a harmonia local, assim, prejudicava a ordem civil. Por isso, em uma época de forte união com o Estado, uma heresia era ameaça clara ao povo e por isso deveria ser fortemente combatida. Vale dizer que a Igreja não imputava a morte às pessoas. Os tipos de punições podem ser encontrados em livros históricos e baseavam-se em interditos, penitências e excomunhões. Contudo, o poder autoritário não advindo da Igreja e sim do governo da localidade levava à morte do indivíduo. Era uma execução feita pelo poder secular. A Inquisição aconteceu de várias formas e alguns tribunais foram instalados. Os mais famosos foram os da Espanha, Portugal e o de Roma, conhecido como Santo Ofício. As punições destes eram mais brandas que o braço secular. Isto pode ser comprovado através de João Bernardino Gonzaga que no seu livro A Inquisição em seu mundo narra o fato que dois meliantes aplicaram em si a tonsura para serem confundidos com clérigos, e assim escaparem do julgamento secular conhecido por sua severidade. Além disso, temos diversos líderes da Igreja que denunciaram e lutaram contra o abuso de alguns Inquisidores. Existem inúmeros outros pontos que poderiam ser tocados, mas com estes expostos aqui pretendo deixar possibilidades de haver outra visão dos fatos. Quando analisamos situações do passado com os olhos do presente, podemos cair no risco do anacronismo, ou seja, julgar com os critérios de hoje, fora do contexto histórico-social. É uma tendência natural, mas que deve ser ressignificada. É claro terem ocorrido desvios que para os cristãos da atualidade podem servir como escândalo e vergonha, contudo, a maturidade também nos faz olhar para as incoerências e entender que isto está atrelado à estrutura humana passível de erro.

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