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Opinião

Um histórico nacional de ladroagem

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?Quem não conhece, não ouviu falar/ Na famosa caixinha do Ademar??, indagavam os compositores Herivelto Martins e Benedito Lacerda na marchinha carnavalesca (diga-se de passagem, encomendada pelo próprio personagem da canção) intitulada: A caixinha do Adhemar. Acusado com frequência de corrupção e roubo do dinheiro público, o político paulista e seus correligionários se encarregaram de difundir informalmente o slogan ?Rouba, mas faz?. Adhemar de Barros governou o estado de São Paulo por três vezes, uma vez a capital, além de ter sido candidato à presidência de República por duas vezes. Caracterizou-se como tocador de obras: hospitais, rodovias, aeroporto, prédios públicos e escolas. Entre suas realizações, o Estádio do Pacaembu, o Autódromo de Interlagos e o início do Hospital das Clínicas da USP. As obras foram a principal fonte de sua ?caixinha? . Formado em Medicina com especialização na Fundação Osvaldo Cruz e descendente de paulistas quatrocentões, dominava vários idiomas, mas na política era dono de um estilo rústico, espontâneo, piadista, mas também dramático, com momentos desconcertantes de sinceridade, caiu no agrado do povão. Praticante do clientelismo (ainda não existia o termo ?populismo?), distribuía alimentos e remédios entre a população pobre, inclusive nos hospitais construídos em seu governo. Quando Fidel Castro visitou o Brasil pela primeira vez em abril de 1959, logo depois de tomar o poder em Cuba, foi muito bem recebido pelo governo e pela população do Rio de Janeiro, em um dos banquetes oferecidos a ele pelo presidente Juscelino Kubitscheck. Adhemar aproximou-se de Fidel e disse-lhe ter simpatia por seu governo, mas discordava dos fuzilamentos, conhecidos como paredón. Fidel respondeu-lhe: ?Posso assegurar ao senhor que eu só fuzilei ladrões do dinheiro público e cafetões?. Adhemar sumiu da festa. A figura de Adhemar de Barros é cercada por um folclore muito rico, e em grande parte verdadeiro, como o fato de sua fortuna amealhada (e não declarada) ter sido espalhada em dez cofres com pessoas de confiança. Um desses cofres (com U$ 2,5 milhões) estava com Dr. Rui em Santa Teresa. Foi ele ?expropriado? pelo grupo da luta armada Colina, episódio que teve a participação de Dilma Roussef. Dr. Rui sempre chamava Adhemar pelo telefone dos momentos mais impróprios das exaustivas reuniões do seu secretariado, até que um dia, ao despedir-se de Dr. Rui, ele disse ?Um beijo Dr. Rui? para constrangimento geral. Dr. Rui era o cognome usado por sua amante de Santa Teresa. A longa, ininterrupta e impune história de enriquecimento ilícito de políticos com dinheiro público no Brasil, que humilha o povo brasileiro desviando os recurso que iriam para a saúde, educação e segurança públicas, pode ser reduzida ou não, dependendo do resultado das eleições de 2018. Mais do que nunca, nós, eleitores, deveremos ter consciência disso.

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