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Dados do Programa Nacional de Imunizações referentes a 2019 apontam que, pela primeira vez em quase 20 anos, o Brasil não atingiu a meta para nenhuma das principais vacinas indicadas a crianças de até um ano. A situação ocorre em um contexto de cinco anos de queda nas coberturas vacinais, com redução de até 27% para alguns imunizantes.

Para complicar, em meio a pandemia do novo coronavírus, equipes de saúde dizem ver atrasos na busca pela vacinação também neste ano, o que indica a possibilidade de haver nova queda histórica. O receio dos especialistas é o retorno de doenças eliminadas, como ocorreu com o sarampo, ou aumento na transmissão daquelas que até então eram controladas. Para um país reconhecido por ter um dos maiores e mais bem-sucedidos programas de imunização do mundo, os números são preocupantes. Os primeiros sinais de queda começaram a ser registrados em 2015 e se agravaram em 2017, quando apenas uma vacina atingiu a meta. Para tentar explicar essa queda, especialistas apontam fatores como a falsa sensação de segurança, mudança no mercado de trabalho, problemas na organização da rede e até o próprio sucesso do programa, com aumento no número de vacinas ofertadas, o que exige ir mais aos postos. Não se pode deixar de apontar, porém, um fator também presente em outras partes do mundo: o crescimento dos movimentos antivacinas. Os grupos contrários à vacinação no Brasil são discretos se comparados aos de outros países. Entretanto, em tempos de redes sociais, notícias alarmistas e equivocadas circulam rapidamente. Além do risco individual, a não imunização pode trazer problemas coletivos. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre dois e três milhões de mortes por ano são evitadas pela vacinação. Por isso, O poder público deve estar atento é fazer um estudo profundo para compreender a queda nos índices de imunização e evitar que o País retroceda nesse quesito e enfrente consequências graves.

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