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De acordo com dados divulgados ontem pelo IBGE, o índice de desemprego no Brasil atingiu 12,2% no período entre agosto e outubro. Os números mostram que a taxa vem caindo mês a mês, mas o índice ainda é o maior da série história iniciada em 2012 para o período de agosto a outubro. No trimestre anterior, de maio a julho, a taxa ficou em 12,8%. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, que registrou índice de 11,8%, o desemprego cresceu. Um ponto que chama a atenção é que os empregos que vêm sendo criados não incluem os empregados com carteira no setor privado, cujo número diminui tanto em relação a julho como na comparação com outubro do ano passado (-2,2%, ou menos 738 mil). Também nesses períodos, aumentou em 5,9% o número de trabalhadores sem carteira (615 mil) e em 5,6% o de trabalhadores por conta própria (1,208 milhão). Das 868 mil ocupações criadas em três meses, o emprego sem carteira respondeu por 254 mil. O trabalho por conta própria, por 326 mil. O fato é que a ligeira melhora no período recente segue mostrando outro fenômeno no mercado de trabalho, que, independentemente da nova lei trabalhista, está trocando empregados com carteira assinada por informais, de menor remuneração. É essa informalidade que está fazendo aumentar o nível da ocupação no País. Na pesquisa, não consta a geração de um posto sequer de carteira assinada. Alguns especialistas dizem que, num curto prazo, o aumento da informalidade é o efeito do final da crise, que provocou a perda de 3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada. À medida que o crescimento econômico for se consolidando, esses empregos voltariam. Entretanto, há controvérsias. A principal inspiração reconhecida pelo governo Temer para sua reforma trabalhista é a aprovada há cinco anos na Espanha. A mudança das normas trabalhistas nesse país foi aprovada em condições muito parecidas com as vividas pelo Brasil, ou seja, uma dura crise econômica. Tanto lá como cá, houve forte reação das entidades que representam os trabalhadores. Cinco anos depois, o governo espanhol a considera um sucesso pela queda nas taxas de desemprego. Mas seus críticos afirmam que os novos empregos são muito precários e que a reforma trouxe uma queda generalizada dos salários, com o consequente aumento da desigualdade social. No Brasil, é preciso esperar para ver.

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