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Opinião

Beira-Mar � beira-mar

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UBIREVAL ALENCAR * Logo após ter sido deportado do à beira-Rio, mais ainda repudiado do à beira-lagos e campinas paulistanos, eis que aterrissa no frugal recanto alagoano, há menos de um quilômetro de um pouso à beira-mar, o mais famoso infringente de legislação criminal e penitenciária ? Fernandinho Beira-Mar. Não importam as questões hoje que se debatem sobre o acúmulo de penalidades, a respeito da movimentação de dólares entremeados a invólucros recheados de drogas. Os fatos que macularam a Carta Magna parecem ter-se esfumado em meio à estonteante presença de um ídolo-criminoso, festivamente procurado pela mídia, reiteradamente decantando opiniões, das mais ponderadas às mais burlescas. O que importa nesse momento ? e isso deve estar alegrando alguns egos de sudeste ? é que Beira-Mar se encontra nitidamente à beira-mar das Alagoas. A pergunta que não quer calar é: por que intempestivos e despreparados programas governamentais Fome Zero, Violência Zero, Educação Zero e coadjuvantes imberbes e certamente improfícuos partem de pressupostos de que a erradicação de nordestinos do sudeste e sul do País seria o primeiro passo para o correto gerenciamento de uma mera e discutida política governamental? Agora vem a apodítica contradição estampada num epígono nacional do crime. A violência-zero quase ou sempre tem elegido o traficante Beira-Mar como a metáfora de que dimanam as células interpretativas que fecundam o crime. Nessa conclusão abrupta e inglória, decidem, autoridades, judiciário e caladamente mídia, que o recanto nordestino seria o mais aprazível e acolhedor para o inominável Beira-Mar. No momento em que um ministro Graziano se escuda em preconceitos e dores internas, vitimado pela autêntica fome e sede de conhecimento e de cultura de regionalidades díspares, o mesmo raciocínio míope não enxergava a incongruência de um presídio despreparado e (nesse momento) hoteleiro do então famigerado criminoso Beira-Mar. Se há uma definição para o que se pensa que se pode vislumbrar dessas cogitações grazianas, claro está: fome e sede à Graziano. Mas o Beira-Mar notavelmente supera toda e qualquer miopia ministerial, por vias transversas e ilegais. Os mares das praias da Avenida e Pajuçara continuam sua ondulação luxuriosa, enquanto o Fernandinho resmunga ante o marulho das águas. Para o aparente sossego de uma Rio de Janeiro e outra São Paulo, cidades neurotizadas face aos sequazes de Fernandinho, ninguém ponderou conseqüências e inadequações para o traslado de um hóspede tão requintado e pouco desejado por qualquer entidade federativa. Maceió viver nesse momento a epopéia às avessas de ter sido escolhida a especial mantenedora dessa contingência extemporânea. Os alagoanos, pasmos de tantos e bruscos donativos, continuam entalados com o grito de repúdio a certos condimentos e guloseimas abomináveis. Ainda bem que as módicas instalações locais não permitirão que Beira-Mar se demore por anos nessa quase avenida beira-mar. E a próxima pergunta já emerge da esfuziante mídia: por que Teresina-PI não está situada à beira-mar? * É MEMBRO DA ACADEMIA ALAGOANA DE LETRAS

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