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Opinião

Paripueira não está mais à venda

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Foi no ano de 2006 que escrevi nesta coluna um artigo com o título ?Vende-se uma cidade?, reportando-me a Paripueira, que à época vivia polêmica crise de gestão. Literalmente abandonada, ruas e calçadas entregues ao lixo e cães que se banqueteavam da intolerância de uma administração desastrosa. Paripupeira de Santo Amaro, de incontáveis belezas, poderia ser a nossa Pipa, Praia do Forte, Porto de Galinhas e outras referências deste mundão de meu Deus, padecia do mal da irresponsabilidade. A decoração das ruas era formada por placas de vende-se casa, loja, terreno, um cenário desolador, humilhante! Passados alguns anos, percebemos que os tempos são outros, a cidade emergiu das cinzas e segue retomando sua vocação para o turismo. Os finais de semana voltaram a ser alegres com gente bonita circulando pelas praias da cidade e entorno, a praça central virou point de jovens e pessoas de todas as idades. Logradouros públicos se vestem de calçamento, jardins embelezam o visual e a urbanização da orla vai se transformando em realidade. Novos investimentos imobiliários e gastronômicos lentamente quebram a inércia e abrem perspectiva de empregos. Entretanto, é pouco para melhoria da qualidade ambiental, vida e segurança da comunidade nativa e visitantes. Esta temporada promete o maior fluxo dos últimos tempos atraído pela ampliação de leitos e pousadas, restaurantes e dezenas de novas construções em condomínios horizontais. O turismo praieiro em Alagoas caminha célere em direção ao Litoral Norte. A duplicação da AL 101? Jesus na causa! Entre Barra de Santo Antônio e Paripueira, a natureza moldurou um dos cenários mais belos entre tantas pinturas que dão cor ao mar até Maragogi. A orla de Sonho Verde e Tabuba é atração à parte e clama benefícios às lideranças políticas dos municípios aos quais pertencem. A gravidade dos problemas se amplia comprometendo questões fundamentais como preservação do meio ambiente e segurança. O avanço desordenado do comércio de barracas, ausência de iluminação pública, coleta irregular do volumoso lixo despejado pelos barraqueiros assustam. Há muito se denuncia o avanço de uma favela enfincada no mangue do Rio da Ribeira, poluindo rio e mar, se entupindo de novos ?hóspedes? protegidos por bandeiras de movimentos sociais. A visão turva das autoridades, principalmente dos órgãos ambientais, escureceu de vez. Não há um alagoano de verdade que não tenha uma cumplicidade com Paripueira e sua história. Até os que nunca pisaram no seu chão sentem uma pontinha de paixão só de ouvir falar do seu magnetismo! Recanto de encontros de pessoas vindas de muitos lugares, veranistas e visitantes, gente embevecida pela beleza da praia de areia tão densa. Sonho Verde, outro lugar não há com mais sossego e piscinas naturais. Águas tranquilas, sedutoras, santuário ecológico, refúgio do afetuoso peixe-boi. Quiçá a ambição política das oligarquias que disputam poderes entre grupos sedentos para elegerem mais parentes não seja o muro da vergonha no caminho do desenvolvimento do deslumbrante Litoral Norte.

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