Opinião
Sobrecarga
De acordo com levantamento do Conselho Federal de Medicina, até junho deste ano 904 mil pessoas esperavam por uma cirurgia eletiva no Sistema Único de Saúde ? em Alagoas, são pelos menos 2 mil. Desse total, 750 procedimentos constam na fila como pendentes há mais de dez anos. Ainda, segundo a entidade, de cada mil pacientes que aguardam a cirurgia, cinco morrem por ano enquanto esperam ? a avaliação não demonstra, no entanto, se a morte ocorreu em decorrência da ausência da cirurgia. O Ministério da Saúde atribui a situação da fila de espera aos municípios e estados, que são responsáveis pela execução da saúde lá na ponta. A organização do sistema também foi apontada como justificativa. O SUS foi um dos avanços consagrados pela Constituição de 1988. Para garantir acesso ao atendimento de saúde integral a todos os brasileiros, organizou-se uma rede nacional, descentralizada, em um sistema único, com a participação de todos os entes federativos. Um projeto bem ambicioso, pois o objetivo era oferecer a mais de 100 milhões de habitantes um sistema universal, integral, igualitário e gratuito de saúde. Se, de um lado, o SUS é considerado modelo para iniciativas correspondentes em outros países, apresenta falhas que comprometem seu bom funcionamento, entre elas o subfinanciamento, ou seja, os recursos são insuficientes para atender adequadamente à demanda, por isso a remuneração dos serviços é baixa. Outro problema apontado pelos especialistas é o fato de que a atenção básica não dá conta desse papel inicial de funcionar como porta de entrada do sistema, e as unidades de média e alta complexidade acabam sobrecarregadas. Muitas vezes, as doenças dos pacientes encaminhados aos hospitais poderiam ser evitadas, com ações mais efetivas na área da prevenção ou tratadas em estágio inicial. Essa realidade acaba onerando os custos do sistema. É preciso, pois, maior investimento em prevenção, tanto para garantir a melhoria na qualidade de vida da população, quanto para que o sistema funciona de forma mais eficiente. Nesse sentido, o programa Saúde da Família desempenha um papel primordial. Ao mesmo tempo, deve-se combater o desperdício e a corrupção, duas pragas que consomem as riquezas da Nação. O SUS é uma conquista que deve ser continuamente aperfeiçoada.