Opinião
Cuidado com as pontes
Passados quase 23 anos e sob o mesmo título volto a alertar as autoridades rodoviárias deste Estado sobre a necessidade de conservação das nossas pontes. Em 17 de janeiro de 1995 lembrei que os engenheiros do DER tinham conhecimento do estado de conservação de nossas pontes em concreto armado, principalmente aquelas constantes da AL-101, em face da proximidade das praias com o seu corrosivo ar salino. Historiei a ocupação do nosso território com as suas principais atividades econômicas a partir do açúcar, extração de madeira e de outras atividades agropastoris desde Porto Calvo, da região lacustre Manguaba/Mundaú com o polo irradiador na vila de Santa Maria da Alagoa do Sul, atual cidade de Marechal Deodoro e por Penedo. O transporte dos produtos era executado no lombo de animais, carros de boi e barcos. Aprendeu-se de uma maneira simples a construção de pontes em madeira, material abundante na região. As primeiras pontes com materiais mais duradouros foram construídas no final do Século XIX com a implantação da ferrovia Maceió-Recife pela ?Great Western?. Suas composições eram basicamente em alvenaria de pedra e perfis metálicos. No início do século passado, com o surgimento dos carros e caminhões, foi introduzido rudimentarmente, no Governo Fernandes Lima, a tecnologia do concreto armado em uma ponte no município de Passo de Camaragibe. Graças à politica de apoio ao rodoviarismo com o surgimento da Lei Maurício Jopert, no Governo Silvestre Péricles, foram construídas importantes obras a exemplo das pontes de Jacarecica, Guaxuma, Pratagy, Saúde, Sauaçuhy, Sapucaí, Jitituba, Tapera e São Miguel. Todos os governos seguintes espelhando-se no exemplo do introdutor e pioneiro na pavimentação, Arnon de Mello, com maior ou menor ênfase, desenvolveram seus programas rodoviários e é obvio que neles a construção de pontes estava incluída. Na década de 1970 começou o DER a despertar para a conservação de pontes e substituição de outras com plataformas mais consentâneas. Foi no Governo Afrânio Lages que as primeiras pontes em concreto armado tiveram sua manutenção e melhorias. Recentemente, ao passar sob a ponte que transpõe o canal que liga a Lagoa do Roteiro ao mar, observei e registrei em fotos o estado de agressão no topo de vários tubulões. Destaque-se que as armaduras estão quase totalmente à mercê da variação das marés e por isso cada vez mais sofrem lavagem com água salgada. Urge, portanto adotar providências em repará-las. Como anos atrás, termino com o clássico aviso: ?Cuidado com as pontes?.