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Alto risco

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De acordo com relatório elaborado pela Anistia Internacional, o Brasil é um dos países com o maior registro de mortes de ativistas dos direitos humanos. Até agosto deste ano, 58 defensores dos direitos humanos foram mortos. Em todo o ano de 2016, foram 66 mortes. A maioria dos casos registrados entre janeiro e agosto de 2017 envolve indígenas, trabalhadores rurais e pessoas envolvidas com disputas de terra, território e luta pelo meio ambiente. Segundo a entidade, os números colocam o Brasil como ?um dos mais perigosos do mundo para defensores e defensoras de direitos humanos?. Brasil, Colômbia, Filipinas, Índia e Honduras aparecem no topo da lista, conforme a Anistia. O estudo ressalta que quem defende o meio ambiente contra o desmatamento ilegal e quem reivindica acesso à terra para comunidades sem terra enfrenta os poderosos interesses daqueles que exploram os recursos naturais e se opõem à reforma agrária. O mais grave é que não há perspectiva de que a situação venha a melhorar em médio ou longo prazos. Ressalte-se que o Brasil não está só nessa realidade. As Américas aparecem como a região ?mais perigosa para defensores dos direitos humanos nos últimos anos?. Das mortes registradas em 2015, mais da metade ocorreu no continente. Em 2016, o número subiu para mais de 75%. As principais vítimas são defensores dos direitos das mulheres, trabalhadores do sexo, do público LGBTI, povos indígenas, comunidades dominadas pelo crime organizado. Há também agressões a jornalistas, profissionais da lei, ambientalistas e sindicalistas. A impunidade e a falta de investigações e de responsabilizações contra aqueles que praticam os crimes são citadas pela Anistia Internacional como um ?recado de que os defensores de DH podem ser atacados sem quaisquer consequências?. De acordo com a Anistia Internacional, as mortes poderiam ser evitadas caso fossem adotadas medidas visando priorizar o reconhecimento e a proteção dos defensores. O Brasil é signatário de boa parte dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos. Como em outros casos, a intenção fica apenas no papel. Enquanto esses compromissos não se traduzirem em políticas concretas, continuaremos sempre como maus exemplos para o resto do mundo.

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