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Opinião

A verdadeira cor da liberdade

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O verde nunca deixou de ser a cor da esperança. Mesmo para a desvirtuada cor aplicada na nossa Estátua da Liberdade, a reação da população pelo seu patrimônio foi tão intensa, que a administração municipal não pestanejou em devolver a originalidade da mais querida dama francesa radicada no bairro de Jaraguá, desde 1906. É claro que tudo isso só serviu para dar mais visibilidade à estátua e ao bairro. Em meio a muitas opiniões e forte crítica o assunto foi sendo debatido em bastidores, no propósito de não só remover a cor aplicada, como fazer um trabalho dentro de padrões aceitáveis e passíveis de um relato técnico. Para os que desconhecem a obra de Frederic Bartholdi, veio da Fundição Val D?Osne, comprada pelo então prefeito Sampaio Marques para o Jardim de Jaraguá que estava sendo reformado pelo artista Rosalvo Ribeiro. Trata-se de uma peça em ferro fundido, o que lhe dá como qualquer outra obra, fundida ou replicada, o status de peça original. Geralmente, é comum ver essas peças pintadas de cor cinza fosco escuro, igualmente, aos animais da Praça Dois Leões, ao Mercúrio da Associação Comercial e aos próprios postes franceses da Sá e Albuquerque. Não é invenção nossa, no mundo inteiro é assim. Existe um javali igual ao nosso, nos fundos de San Lorenzo em Florença (Il porcelino). Como dissemos anteriormente a de Nova York é de cobre e o esverdeado que apresenta é a cor do óxido de cobre, que é muito leve e não danifica o metal, assim como do ferro é avermelhado, porem corrói. Esta era a cor da nossa Liberdade antes do verde. Realmente, o que ela precisava era de primer (mão de aparelho) para proteger da ferrugem e uma cor: o cinza fosco escuro. Tudo foi feito, exceto a cor original. O mais importante em tudo isso é constatar o amor do alagoano pelo seu patrimônio cultural. Por isso não faltou gente para reclamar. Mais ainda, um velho padrinho de nossos bens culturais, que também não gostou do resultado, apresentou-se com sua equipe para ajudar a desfazer a polêmica. Temos que reconhecer o quanto foi importante a participação de Luiz Antônio Jardim nessa querela em torno da nossa Liberdade. E o resultado mais surpreendente, que foi o estudo da cor original, baseado em outra peça da mesma época O Mercúrio, fornecendo a tinta dentro dos padrões. Ressalte-se, a participação técnica da Professora Adeciany, sempre coerente com os princípios da restauração e certa de poder relatar, mais tarde às futuras gerações, esta pitoresca história de nossa Estátua da Liberdade. Lembramos apenas que o pedestal desta vez precisa ser também pintado. Está sujo e poeirento, por isso precisa voltar a sua vivaz cor original.

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