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Opinião

Coração em Maceió

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Maceió tornou-se vila no dia 5 de dezembro de 1815, mas só ganhou o título de capital de Alagoas em 1839, quando o baú do tesouro da província foi transferido de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (hoje Marechal Deodoro) para cá. Não foi fácil. Houve resistência e emboscadas por parte daqueles que rejeitavam a mudança. Contudo o processo aconteceu, e a partir daí a cidade entrou em rota de crescimento resultando no que conhecemos hoje. Curioso notar a importância da materialidade do dinheiro na época, agora tudo é digital e o baú famoso está exposto no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. A cidade acaba de completar 202 anos e merece toda nossa atenção e dedicação. Fui prefeito de Maceió e governador de Alagoas e sempre dediquei um carinho especial a ela. Na prefeitura, no início dos anos 90, fiz questão de mensalmente transferir a administração pública para os bairros. Conheci de perto não apenas a realidade social, mas também me inteirei da questão física, territorial. Isso permitiu que, ao longo dos anos, pudesse criar equipamentos que consolidassem a imagem de uma capital humanizada e voltada para a valorização da nossa cultura. Foi assim com a revitalização de Jaraguá, o monumento ao gogó da ema, na Ponta Verde, a Praça Multieventos, com uma homenagem aos jangadeiros alagoanos, o projeto de Oscar Niemayer reverenciando Teotônio Vilela, o menestrel das Alagoas, na Pajuçara, e o Memorial à República, na praia da Avenida. São marcos, mas Maceió merecia mais, obras perenes que servissem de sustentáculo para a indústria do turismo. Daí o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e o Centro de Convenções, há muito reivindicado e que hoje atrai pessoas de todas as partes do Brasil. Numa outra vertente, construí escolas, pavimentei ruas e erigi a nova Ceasa, fundamental para agricultores e distribuidores de alimentos, mas que devido a sua antiga localização, no centro da cidade prejudicava a logística. Agora, na parte da cidade, cumpre sua função com eficiência. Mesmo com 202 anos, Maceió é jovem na alma da sua gente. É necessário que dediquemos a ela todo nosso esforço para fazê-la ainda mais plena. Um dos caminhos é o turismo que este ano promete uma temporada com hotéis lotados e uma movimentação que garante empregos e renda. Mas para que isso não seja apenas ocasional, precisamos tratar bem quem nos visita garantindo que volte. Afinal, como cantou Luiz Gonzaga, tudo mundo que sai de Alagoas, o coração deixa em Maceió. Viver aqui é uma benção, e lembrando o poeta Ledo Ivo, temos todos no peito um selo azul, com muito orgulho.

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