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Opinião

Diálogos republicanos

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As longas conversas desenvolvidas pelos mestres da ciência política italiana Norberto Bobbio e Maurízio Viroli foram reunidas em um livro em torno dos grandes temas da política e da cidadania. Os referidos pensadores confessam, não apresentam verdades definitivas, levantam dúvidas e assumem posições diante das relevantes questões de nosso tempo. Bobbio, da Universidade de Turim, de idade avançada, ostenta o título de ser um dos maiores pensadores contemporâneos. Senador vitalício da República italiana, detém uma obra vasta e respeitada em todo o mundo. Viroli, ensina na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, de idade menos avançada, dedica-se primordialmente à história do pensamento político. Autor de aplaudidos livros, a exemplo do escrito sobre a biografia de Maquiavel, Il sorriso di Nicolò, traduzido para o inglês, o alemão e o espanhol. Ambos tentam objetivar o belo equilíbrio decorrente da dimensão da paixão, da dimensão da eloquência associada à razão, lembram a conclusão de Hobbes ?sem a poderosa eloquência que assegura atenção e consenso a razão seria pouco eficaz?. O ideal do sábio deveria ser ? a aliança da razão com a eloquência; o momento da análise é o tempo da razão; o momento do empenho é o tempo da eloquência. Os clássicos já prescreviam o uso das metáforas como um meio poderoso para mobilizar os homens. Questionado Bobbio sobre o principal dever de um governante, respondeu o mestre ? o senso do Estado, ou seja, o dever de buscar o bem comum e não o bem particular ou individual. A advertência aos governantes para que busquem o bem comum é o princípio fundamental do pensamento político republicano, acrescentou taxativamente Viroli. As questões democráticas permeiam todas as discussões republicanas, em ordem de prioridade, grandeza e essência. A ponderação histórica de Tocquiville permanece presente: ?Sempre será um grande crime destruir a liberdade de um povo sob o pretexto de que ele faz mau uso dela?.

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