Opinião
Segurança pública e nossos medos
Recentemente li através de portais que somente neste mês de dezembro quatro igrejas de Maceió foram assaltadas, sendo duas católicas e duas evangélicas. Levaram som, o dinheiro arrecadado e outros pertences. Ao fim de uma matéria, li que o comandante de policiamento da capital afirmou estar conversando com as lideranças religiosas para ?definir como vai ser o reforço da segurança nas áreas mais vulneráveis e, que as igrejas precisam tomar providências para dificultar a ação de ladrões?. Aquilo me deixou deveras intrigado! Pensei na nossa vulnerabilidade como cidadão. A segurança pública não existe a ponto de impedir tanta violência que acontece à nossa volta. Ocorre então que as vítimas precisam tomar providências para que aquele crime não suceda. Talvez o leitor possa pensar: mas cada igreja não seria responsável em ver as próprias medidas de segurança? Só que antes de fazer essa pergunta e propor respostas, vejamos o contexto. As duas igrejas católicas são a de Bom Jesus dos Martírios e a de Nossa Senhora do Livramento, ambas localizadas no centro da capital. A primeira, está a poucos metros do Palácio do Governo de Alagoas. Seria isso um ponto a NÃO ser considerado? Como a maior representação de administração pública do Estado não pode servir de referência para a segurança do que está ao entorno? Continuando o enquadramento, vejamos a localização da segunda Igreja citada acima: exatamente no eixo central do comércio, ali, na circunscrição de tantos pontos de negócios, onde diariamente transitam milhares de pessoas. Não deveria ser essa região um exemplo de segurança e proteção? Consideremos também que esses dois templos estão localizados em lugares que inclusive são fortes pontos turísticos. Aliás, conhecedor da história, estes servem de pontos de atração para aqueles que visitam a cidade, basta lembrar-se, por exemplo, dos azulejos portugueses da Igreja dos Martírios. Entende-se, portanto, que são verdadeiros bens culturais. Diante do exposto, poderia voltar à questão da segurança privada e pública e a discussão poderia se alongar. Contudo, acentuo ser triste constatar a que nível de situação chegamos. Penso que nas próximas eleições a segurança pública será um dos pontos mais centrais para aqueles que desejarem se eleger, pois o medo do cidadão o impelirá a querer medidas urgentes. Bem, gostaria que não fossem somente discursos e que ações mais sérias fossem concretizadas.