Opinião
Natal é tempo de meditação
Início de dezembro, estava viajando em visita à cidade grande, o dia que horas antes, beijado pelo sol, amanhecera lindo, rapidamente envelhecera ainda no meio da tarde e já apresentando semblante escuro, nublado, extremamente gélido, aos poucos cedia espaço para a noite. Havia caminhado muito até chegar naquela região e finalmente acabara de sentar em um banco de madeira, e apesar da temperatura estar beirando zero graus centígrados, ousava degustar um sorvete de caramelo, ao tempo em que me encantava com tudo o que estava a apreciar: milhares de luzes se acendiam em todos os ambientes gerando uma atmosfera mágica. As casas superdecoradas por piscas coloridos, bonecos de todos os tamanhos, roda gigante, e até o trenó trazendo o Papai Noel, fixado por um cabo de aço se deslocava entre os jardins dos domicílios existentes na rua, enquanto as músicas características do período não deixavam de tocar em caixas de som fixadas nos postes públicos sempre repetindo o refrão: ?feliz navidad, prospero ano e felicidad. I wanna a wish you a merry christmas from de bottom of my heart?. E neste clima de festa, mas também de nostalgia, passei a meditar em tudo aquilo o que o ano de 2017, me ensinou: Me convenci de não poder exigir o carinho de ninguém, mas apenas dar boas razões para que me aceitem e ter paciência, para que a vida faça o resto. Fixei a certeza de que ler cada vez mais é divino e que os livros merecem bom tratamento pois não somente possuem alma, como são criaturas extremamente frágeis, sofrendo a usura do tempo, sendo temente não somente às intempéries e aos roedores, mas, acima de tudo, às mãos inábeis. Compreendi que pessoas queridas podem a qualquer momento ir embora de nossas vidas, mesmo que pretendêssemos retê-las bem pertinho para sempre. Aceitei a certeza de que mesmo sendo forte e decido nos atos tomados, a fraqueza realmente existe e muitas vezes impede a tomada de decisões que de repente haveriam de remover pedras no caminho a ser percorrido. Compactuei com a certeza de que ficar parado é enferrujar a alma, o corpo e a mente, por este motivo me mexi muito, tentei ousei, e cheguei até a aceitar desafios que tempos antes nem ao menos imaginava ser capaz de acomodar em meus ombros. Pratiquei a paz, na certeza de ser a vida já tão difícil e cheia de problemas, de forma que não se deve procurar mais. Decidi não ensinar a alguém o que fazer, falando pouco e somente a verdade, prometendo menos ainda, cuidando de minha vida como se um tesouro fosse, revelando somente o necessário, deixando o resto no ar. Busquei proteger-me de pessoas, que não olham nos olhos dos seus semelhantes quando conversam ou que esbanjam do pieguismo e dos elogios falsos e fáceis. E aí depois de tantas lembranças e imaginação, novamente acordei para a vida, o sorvete acabara, foi quando retornei ao hotel onde estava hospedado, deixando para trás as lindas e iluminadas ruas do bairro do Brooklin em Nova York.