Opinião
Nas montanhas dos Marrocos
O interfone do meu apartamento toca. Em poucos minutos, minha eficiente secretária Dalva anuncia: ?Dra, chegou uma encomenda para a senhora.? Abro o volumoso envelope e encontro um primoroso livro: Nas Montanhas do Marrocos. Anexo, um carinhoso e belo cartão: ?Para a querida Mirian, que tão bem conheceu o verdadeiro amor, com a sua ?estrela guia?, a sugestão de um romance delicado e que encanta. Beijos. Ana.? Trata-se da minha querida amiga e parenta Ana Bérard Paiva, presenteando-me com o belo romance de sua filha Luiza Bérard. Começo a ler e, já nas primeiras páginas, percebo a disposição de não parar. A obra apresenta a majestosa época vitoriana, detalhando, agradavelmente, o estilo da aristocracia inglesa e as barreiras sociais, impostas às mulheres da época. A protagonista, Katherine, filha mais nova do conde de NortThwick, seguindo os moldes de sua querida tia, a poderosa duquesa de Melbourne, não se enquadra nos padrões locais, enveredando pelo mundo dos negócios e realizando seu anseio de liberdade. Inesperadamente, a fatalidade a leva a Tânger, onde se vê imposta a viver no Marrocos, apaixonando-se por sua cultura e suas paisagens desérticas e montanhosas. Em meio a este novo contexto, a bela Katherine vive um amor intenso, apaixonando-se pelo príncipe marroquino Fahid Almeid El Mansour-Saad, no que é intensamente correspondida. Surgem muitos obstáculos advindos das culturas distintas. As narrativas mantêm-se encantadoras, com minuciosas descrições dos tradicionais bailes ingleses, do século XIX. Paralelamente, as criativas e pitorescas festas marroquinas, com a duração de sete dias, nas principais datas comemorativas, fazem do leitor um ?prisioneiro? do prazeroso enredo. De parabéns a autora. Luiza Bérard, já vitoriosa em seu primeiro trabalho. Certamente, alguns outros virão e tornar-se-ão disputados best-sellers. Na mesma semana, visitando uma amiga, encontro uma adolescente, de 15 anos, com um livro na mão e algumas lágrimas rolando-lhe às faces. Questiono o motivo, e ela confessa-me estar emocionada com o tema do livro. A personagem principal, ainda bem jovem, suicida-se por não ser correspondida em seu amor. Aconselhei-a suspender aquele texto e enveredar pelo romântico Nas Montanhas do Marrocos. E complementei: ?Nunca invista em um amor não correspondido?. O amor compartilhado é um elo indestrutível; deixa-nos leves, seguros e, sobretudo, muito felizes. Gosto dos romances em que o amor triunfa! Todos os ingredientes de um bom romance encontrei na recomendável obra Nas Montanhas do Marrocos.