Opinião
Da guerra
A. SÉRGIO BARROSO* A estratégia militar dos EUA, afiançada por Donald Rumsfeld, e aceita pela submissão (de cinco décadas) britânica, até agora, veio por se revelar um desastre. Não obstante a política obscurantista de comunicação global da ?coalizão de dois?, a arrogância imperialista imaginara chegar a Bagdá ? a ?guerra curta? ? em 72 horas. Escrevo estas linhas quando já se passaram 12 dias. Desde logo, duas advertências sobre a surpreendente força de resistência iraquiana. Uma primeira, diz respeito aos ensinamentos que a cúpula militar iraquiana apreendeu do conflito de 1991, que matou 100 mil iraquianos e menos de 100 soldados norte-americanos e britânicos. Qual seja, diante da gigantesca superioridade tecnológica e de poder de fogo dos EUA/G-B, o êxito da defesa do Iraque exigiria combinar: 1) amplas forças especiais para a guerra irregular; 2) uso extensivo de minas terrestres e marítimas; 3) treinar entre o povo dezenas de milhares de franco-atiradores com fuzis especiais; 4) equipamento de visão noturna; e) pequenas equipes móveis dotadas de armas antiaéreas; 5) organização descentralizada com sistemas de comunicação confiáveis, não só entre as unidades da resistência, mas também entre o comando central e as unidades. Os comentários, inteiramente lúcidos, do ponto de vista da estratégia desta guerra, são do alemão Heinz D. Steffan, da Universidade Autônoma do México. A segunda, talvez mais importante, vem de grandes especialistas na matéria, e co-responsáveis pela derrota militar mais humilhante que se tem notícia: os generais vietnamitas Le Ngoc Hien, Nguyen Dinh Uoc e Le Huu Duc, comandantes da vitória contra os EUA (1960-75). Para estes experientes combatentes, longe de uma ?guerra relâmpago?, a batalha por Bagdá será longa e sangrenta; a guerra de guerrilha urbana poderá ser terrível para os invasores, devendo continuar mesmo depois que a capital iraquiana for tomada; o conhecimento do território e o engajamento popular à guerrilha deverão infringir ?perdas consideráveis? dos efetivos comandados por Washington/Londres, afirmou Huu Duc. Faço aqui uma grave observação a tudo que foi dito: em dezembro (2002), o físico britânico J. Rotblater, de 94 anos, Nobel em Física Nuclear (1995), denunciou terem os EUA já concluído a fabricação de espécie de bombas atômicas em ?miniatura?, na preparação da guerra contra o Iraque. Fizeram Hiroshima e Nagasaki, podem fazê-lo novamente, assegurou Roblater. Quem duvidar, não tem a menor idéia do que seja imperialismo, acrescento. De qualquer forma, Bush e Blair já estão sendo acusados de criminosos de guerra, pela matança de crianças, mulheres e homens civis. A estagnação econômica no centro capitalista tende ao agravamento. A desmoralização da ONU trará amplificação da contestação à hegemonia dos EUA. E poderemos viver uma onda avassaladora de antiamericanismo. (*) É MÉDICO E MESTRE EM ECONOMIA SOCIAL E DO TRABALHO