Opinião
De Alagoas ao Piauí, uma distância quase inatingível
Entre os anos setenta e oitenta, o Piauí não era referência quando se tratava de progresso. O que se ouvia falar era do solo imprestável por ser muito seco e amarelado, impróprio para produção agrícola, além da inclemência do sol 12 horas por dia. Era um estado atrasado e a capital, Teresina, conhecida como a cidade mais quente do Brasil, com insuportável temperatura acima dos 40º, à sombra. Ao contrário de Alagoas, que experimentava um período de grande perspectiva de desenvolvimento com a monocultura da cana-de-açúcar a pleno vapor, criação do Distrito Industrial Governador Luiz Cavalcante, no Tabuleiro, esperança da implantação do Polo Cloro Químico como a mola propulsora do crescimento econômico gerando emprego, renda e esperança para centenas de famílias; a polêmica chegada da Salgema para explorar a riqueza do nosso subsolo, a descoberta da inconfundível vocação do Estado para acionar as turbinas da indústria do turismo. Comparando com outras regiões do Nordeste só perdíamos em circulação e leitura de jornal para os grandes centros: Ceará, Pernambuco e Bahia. Incrível isso, mas era real! Nunca é demais lembrar que, à época, Alagoas não possuía a representatividade nos corredores da República como nos últimos 20 anos. A força política recente é façanha antes impensável, coisa de gente grande e mérito, claro, dos privilegiados que ainda ostentam o glamour do poder. Muito bom pra eles! Infelizmente, o orgulho de outras épocas, quando se fazia chacota dizendo que o Piauí era a terra onde ?o cão perdeu as botas?, hoje experimenta uma realidade invejável. A terra árida de outrora gera energia em abundância, ganhou um polo de produção de energia solar explorada pelas internacionais Global Power Generation, da Espanha, e Enel Green Power, da Itália, com usinas implantadas em alguns municípios e capacidade para abastecer até oito cidades. É o 4º maior produtor de energia eólica do Brasil. O maior produtor de grãos do Nordeste na atualidade, sobretudo soja e arroz. A pecuária de corte e leite na região dos cerrados utiliza alta tecnologia e engenharia genética; várias cooperativas de produção de mel, inclusive exportando 100% para os EUA; importante polo universitário, com o maior número de matrículas da região, com campus em cerca de 10 cidades do Estado. E quando se fala em educação, o Piauí virou um exemplo de aplicação para o Brasil. Estudo recente com dados do Ministério da Educação sobre o Enem/16 mostra, infelizmente, que o desempenho do ensino alagoano envergonha, é o reflexo do caos administrativo de décadas. A primeira no ranking das melhores do Brasil, o SEB COC, aparece na 713ª posição, enquanto o calorento Piauí figura com seis escolas entre as 100 melhores do País e uma delas, o Colégio Dom Barreto, é o 5º colocado no ranking. E olha que os piauienses não tiveram tantos marajás no cenário político nacional como Alagoas! Sob a bandeira da ignorância, é impossível nos livrarmos dos coronéis e da tragédia da brutal violência.