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Opinião

Mais força e esperança em 2018

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As águas da enseada da Pajuçara, calmas e relaxantes nesses últimos dias do ano que se aproxima do fim, adquirem aquela tonalidade peculiar e incomparável de azul que a torna tão singular. As jangadas que a singram não vão mais em busca do incerto pescado, levam turistas que abarrotam a piscina natural, lá onde as ondas quebram mansamente, em renovadas espumas, sempre tão alvas. As calçadas da orla estão repletas de caminhantes e corredores que expõem o resultado de extensivas horas de academias: apolíneos corpos musculosos e meninas com biquínis diminutos a mostrar as suas tentadoras curvas. Os bares da orla estão repletos de homens que enchem a cara como se não fosse o fim do ano que se aproxima, mas sim o fim do mundo... Bebem por algum motivo pessoal, para discutir política, ou simplesmente para preencher um imenso vazio que nessa época invade como nenhuma outra os solitários. É nesse exuberante e reconfortador cenário que me vêm às mãos a epístola de um jesuíta que o segundo o historiador que a me repassou, a escreveu nos últimos dias do ano de 1663, 354 anos atrás, quando por aqui passou, justamente nos últimos dias daquele longínquo ano, quando esse mesmo cenário só era ocupado pelos seus habitantes originais, os Caetés. O jesuíta Simão de Vasconcelos descreveu o que achava deve ser uma pessoa republicana. Entre suas atualíssimas observações estão: ?Ser republicano é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza. É rejeitar hierarquias e privilégios. É saber que o Estado não é uma extensão de família, um clube de amigos, um grupo de companheiros; é repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas, familistas, paternalistas, nepotistas, corporativistas; é acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte. É saber que quem rouba dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos; é considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu; é não praticar nem solicitar jeitinhos, empenhos, pistolões, favores, proteções?. O jesuíta Simão Vasconcelos encerra sua epístola de forma muito pessimista e, embora o cenário natural da enseada da Pajuçara tenha se mantido nesses 354 anos tão inalterado quanto o antirrepublicanismo de nossas elites públicas, evito descrevê-la porque precisamos ter esperanças para 2018. Precisamos de mais Sérgio Moro, mais Deltan Dalagnol e menos ações depreciativas de ministros do Supremo que estimulem a corrupção. Mais debate público franco e verdadeiro, que exponha a necessidade inadiável das reformas, desnude os privilégios das corporações públicas e outras mazelas nacionais e menos populismo, que esconde as verdades, promete utopias fortuitas e passageiras e compromete o futuro do País. Precisamos de mais candidatos a cargos públicos que sejam idôneos, tenham uma visão republicana do Estado e atendam ao imenso clamor da sociedade por renovação de suas representações legislativas e lhes propiciem esperança em dias melhores. Um ano novo com muita saúde e esperança para todos!

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