Opinião
Questionamentos sobre a arte contemporânea
Momento em que a Folha de São Paulo, de ontem, 2, aborda o conteúdo do filme The Square, do cineasta sueco Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, abre-se uma janela para uma avaliação do que tem representado, a arte contemporânea pelo mundo afora. A começar pela abertura do texto do jornalista Guilherme Genestreti, onde o Östlund diz que ?está cansado de ver em museus de arte contemporânea instalações bem parecidas: letreiros de neon, coisas no chão e o público desconectado dos objetivos do artista, andando sem rumo e indo parar na lojinha de souvenires.? Não é demais dizer que a própria expressão ?arte contemporânea? mofou e está fora da realidade. Soaria bem mais adequado tratar de arte casual esta produção, sem compromisso com a linearidade, onde qualquer um, aqui ou alhures, poderia ter o mesmo objetivo criador, ou, talvez recriador, uma vez que nem os insumos são diferentes. O neon, por exemplo, há mais de 30 anos, continua sendo o must na arte conceitual. Voltamos ao hermetismo artístico, dos tempos de Teorema, de Pasolini. O curador se tornou uma figura mais importante do que o próprio artista. É de sua cabeça que sai o enredo da exposição, como numa escola de samba. Daí surge, os alumbramentos, os delírios e a falsa ovação, como a Marguerite Dumont. Consagrou! Chegou ao pódio! O que me encanta nesse santuário aberto das redes sociais são as interpretações holísticas, os arquétipos e os neologismos delirantes. Estamos falando do quê? A lucidez é, tem sido entendida como ?o politicamente correto?. Expressão utilizada pelo Cineasta Pedro Almodóvar, ao entregar o prêmio ao sueco, afirmando que o longa ?atacava a ditadura do politicamente correto?. O que defende Östlend dizendo que não via problema algum com o politicamente correto. E salienta: ?vivo numa sociedade em que somos autorizados a testar os limites desse tema?. Claro, a figura do curador do filme Christian, interpretado por Claes Bang, posta um vídeo de violência na internet e que viraliza para promover a exposição. O que novamente o cineasta se posiciona dizendo: ?amo a ironia de se promover um projeto humanístico com um vídeo cínico que se torna bem-sucedido.? Vivemos ou não esta mesma realidade? Nada irá mudar em relação à arte produzida no mundo contemporâneo, enquanto esta for refém da cultura do ?eu me amo? do Johnny Bravo. 2018 bem que merece uma chance viver menos o narcisismo de Johnny Bravo.