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Opinião

O que nos falta para sermos felizes?

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O Natal pode deixar a humanidade embevecida e com o sentimento mais frouxo, a ponto de esquecer quaisquer rusgas, compartilhar votos de paz, amor e felicidade. No entanto, parece que tudo é, muito mais, comandado pelas luzes e cores que pelo coração. É como se cada um desse uma trégua, nos estremecimentos de suas relações sociais, para confraternizar. Palavra que não parece expressar o mesmo sentido etimológico, principalmente, a cada final de ano. Soa muito mais como um compromisso frio. Na realidade, a humanidade se odeia os 365 dias do ano. A felicidade é uma metáfora que jamais será compreendida no coletivo da mesma forma. Não é um tributo apenas do ser humano. Os animais gozam desse privilégio, igualmente a nós. As causas são também diversas e ainda mais complexas nos seres humanos. Assim como um cão perdido e faminto se alegra com a mão que o afaga, o homem não é diferente. O que muda não é o fato de ser ou estar feliz e, sim, a própria representação humana. O caminho para a felicidade é construído no decorrer da vida, muitas vezes a duras penas. O sujeito pode estar feliz em determinado momento, mas não ser uma pessoa feliz. É necessário superar o deficit de felicidade para que haja um ser pleno. Muita gente alcança esta plenitude facilmente porque o tempo lhe fez menos exigente. Assim, como outras pessoas, mesmo após fartar-se de todos os seus objetivos, ainda não se sentem saciadas. A felicidade não é, portanto o máximo, porém o mínimo. O pássaro canta mesmo preso na gaiola. Quem pode garantir que seu canto seja de felicidade? No entanto, alguns, mesmo com a porta da gaiola aberta, saem e retornam para cantar ali, na mesma gaiola. Meu irmão me contou que a maior alegria de sua vida foi quando, após um jejum demorado, saiu de uma angioplastia e comeu um prato de papa de aveia. Nunca imaginou que aquele alimento já tão sem graça em sua vida lhe trouxesse tanta felicidade. Mas, como vivemos em sociedade, é necessário que as partes permitam-se esta felicidade. E isto muitas vezes é impossível. Dificilmente uma pessoa sabe por si mesma as razões de causar antipatia no outro, sobretudo se no cotidiano o antagonista for dissimulado. E tem mais, nunca vemos duas pessoas se sentarem para fechar o balanço de suas indiferenças. Ao contrário, estas só se acumulam com o tempo até explodir. Chegamos à conclusão que entre os elementos que constituem a nossa felicidade está o próprio consentimento de outrem. É essa interdependência do ser que motiva Tom Jobim a dizer: ?É impossível ser feliz sozinho.? Por isso que o Natal serve de mediador para essa trégua, que dura, geralmente, até o segundo dia do ano novo. Uma trégua consigo e com os outros.

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