Opinião
Temer pedala
Um governo pressionado por perda histórica de arrecadação precisa de dinheiro para tocar os problemas do dia a dia. Entre cortar gastos ? o que significa, num país já tão carente, causar pequenas calamidades ? ou se endividar ainda mais, o mandatário pouco popular escolhe nenhum dos dois. Prefere fazer um tipo de maracutaia financeira que finge não ser o que é e não engana ninguém. De quem estamos falando, de Dilma ou de Temer? Seguindo os passos de sua antecessora, Temer prepara sua primeira pedalada com uma operação para socorrer a Caixa Econômica Federal. Ao invés de simplesmente dar o dinheiro que o banco precisa para não se inviabilizar, assumindo com isso que vai aumentar o deficit, o Planalto preferiu fazer um arranjo onde a Caixa pegaria emprestado o dinheiro do FGTS a fundo perdido. Essa malandragem tem ao menos três boas ironias. Primeiro, ao que parece, o governo dos ortodoxos não acha mais que a falta de poupança é o grande problema do País. Torrar o dinheiro do FGTS, única poupança que o brasileiro faz, porque que é compulsória, agora é solução para tudo. Depois, diretor do banco, nomeado por Temer, que o deixou nessa pendenga, era ex-ministro de Dilma. Por fim, não custa lembrar que as pedaladas originais de Dilma foram dadas para não incorrer em crime de responsabilidade, o que poderia provocar um... impeachment! O processo de impedimento da ex-presidente foi justificado com o argumento de que ?Dilma deixou o Brasil quebrar porque não queria cortar gastos?. Temer assumiu a cadeira já dando reajuste para o funcionalismo, para o bolsa família, e anunciando um enorme aumento do deficit. Sem ter cortado despesa alguma e depois de ter cedido a todo tipo de chantagem no congresso para aprovar uma reforma que não vai ser aprovada, agora se vê obrigado a subir na mesma bicicleta que Dilma. A verdade é que o Brasil tem uma alma penada de 150 bilhões flanando pelos corredores de Brasília. Um rombo tão grande que já se fala em mudar a ?regra de ouro?. Com um nome desses, nem precisaria dizer que se trata da última medida de um endividado desesperado. A verdade é que com Dilma ou com Temer, o Brasil continuou na rota do desastre fiscal, que seria financiar despesas correntes com a emissão de títulos de dívida. Simplificando, estamos a um passo de entrar no cheque especial.