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Bem comum

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Durante o Águas pela Paz ? II Seminário Internacional Água e Transdisciplinaridade, realizado ontem, em Brasília, foi feita a defesa de que a água deve ser reconhecida como um bem comum, não como uma mercadoria. Como exemplo de medidas que podem ser tomadas para concretizar tal perspectiva, o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, defendeu que o acesso à água potável e ao saneamento básico deve ser considerado um direito humano fundamental. O seminário Águas pela Paz é uma atividade preparatória para o 8º Fórum Mundial da Água, que ocorrerá em março, no Brasil. O evento, realizado a cada três anos, é considerado um dos mais importantes espaços de debate sobre o tema em âmbito mundial e, pela primeira vez, será realizado em um país do Hemisfério Sul. A ameaça de escassez dos recursos hídricos tem colocado essa questão dentro das preocupações e disputas em todo o mundo. Se não forem tomadas medidas urgentes com relação à degradação ambiental, ao aquecimento global e ao desperdício ? quase 40% da água tratada no Brasil é perdida por causa de vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição ?, em 2025, metade da população mundial não terá acesso à água potável. De acordo com dados oficiais, 35 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de abastecimento de água em suas residências, estando em situação de vulnerabilidade. Considerando a população que enfrenta racionamentos de água e interrupções frequentes no abastecimento, estima-se que 70 milhões de brasileiros não têm acesso continuado a água potável. É uma situação bastante preocupante em termos de saúde pública. É mais que urgente que o poder público, em todas as suas esferas, invista em infraestrutura, recuperação de mananciais e construção de adutoras, criação de uma rede secundária para a água de reúso, aumento da captação de água de chuva, além da ampliação da rede de tratamento de esgoto. São procedimentos que devem começar pelo cidadão comum e ser adotados em larga escala por empresas, órgãos públicos e propriedades rurais. O acesso à água de qualidade é um direito humano básico que necessita ser efetivado para toda a população, sem o qual não é possível a realização do direito humano à alimentação adequada.

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