Opinião
Reflexões
Numa conversa em rede social veio assunto que tem sido recorrente pra mim. A situação urbana ou o fenômeno urbano. Estava pensando nisso em relação à mudança de costumes e estilo de vida. Nos últimos anos, ou melhor, nos últimos fins de ano ou réveillons e natais. (O Editor de texto não deve ser uma pessoa de idade, não escreveu maiúscula: Natal). Deve ser alguém que não dá importância ou não conhece a importância e o sabor de encontrar com os familiares crianças e adultos para uma ceia frugal ou mais alentada. Uma reuniãozinha descontraída com a pauta saudável de saber se todos estavam bem e se as crianças estavam felizes. A qualquer momento o aparelho telefônico da sala tocava. Era um parente ou amigo longe que estava vindo ou desolado porque não poderia vir. Nessas idas e vindas tenho vistos setores comerciais vazios, passarelas idem, lojas, fechadas, oficinas, bares e biroscas e a única coisa que me ocorre é um declínio do comércio (abduzido pelo Eletrônico) e a ?imobilidade urbana?. Boa Viagem à noite, bem cedo, prédios não muito antigos às escuras. Transeuntes quase não existem. O trânsito esporádico. Suponho que as pessoas estejam penduradas e isoladas. Um ou outro restaurante com frequência especial. Paradas de ônibus às escuras e algum ou alguma heroína da resistência a passos apressados. Pela manhã lojas com placas anunciando à venda. Comerciante, talvez aposentado formalmente, ainda com estoque defasado, varrendo a loja. No Manaíra, casas fechadas, outras demolidas, prédios com a construção paralisada. Teremos abertos para estacionamento. A própria Epitácio Pessoa silenciosa à noite. Uma farmácia ali outra acolá. Para uma economia metropolitana de 1 milhão de habitantes desapareceu o comércio, dando lugar à previsão de estar suplantado em 2016 pelo eletrônico e pelo setor de serviços. As redes sociais substituíram a explosão popular da tradicional queima de fogos, com alegria, esperança e regozijo? Criando ânimo para começar de novo. Fazer como Umberto Eco explicando, em crônica mais recente recuperada em Livro, porque não usava uma: ?Tuito, Ergo Sum!?. Esquecendo também do amigo secreto primeiro: pela crise. Segundo: pelo trânsito infernal onde crescem as multas eletrônicas.