Opinião
Enfim, um novo emissário
Inicio este artigo mais uma vez sobre saneamento, na dúvida sobre o próprio título: novo emissário ou cloaca de Maceió? É meus amigos, a incerteza sobre as definições que o poder público nos dá para seus projetos na área do saneamento coloca a todos com as orelhas em pé, se não vejamos. Quem deseja um refrigério para se distrair e vai à nossa orla, encontra-a poluída tanto pelos seus milhões de coliformes como também de há muito poluída visualmente, tal é proliferação de quase uma centena de barracas, estátuas, sereia, placas de todo jeito e tamanho. Uma placa chamou-me mais atenção. Nela está anunciada a construção pela Prefeitura de Maceió de 7 (sete) elevatórias para aduzir os esgotos que chegam à praia pelas galerias da própria municipalidade para o Gulandim, riacho canalizado que despeja seus já conhecidos e detestados esgotos no afamado Salgadinho! Faz seis meses que em 20 de julho do ano passado, no auditório do Crea e sob seus auspícios, reuniram-se personalidades do mundo político (um senador, deputados, vereadores e um ministro) e técnico com destaque para o autor do projeto do Canal do Sertão. Naquela ocasião discutiu-se a ideia de despoluir o Salgadinho, interceptando seus esgotos antes de sua foz, tratando-o e remetendo ao nosso conhecido e quase caduco emissário. A justificativa para o abandono temporário do saneamento do Vale do Reginaldo foi lembrada face os custos elevados de sua implantação, estimada em cerca de R$200 milhões, enquanto a solução proposta, além da rapidez de sua execução, ficaria em torno de R$ 40 milhões. Acho muito pouco o valor para se sanear aquele vale. Mais vale a saúde de sua população que para lá foi jogada. Aguarda-se o desfecho daquele promissor seminário. Publiquei um artigo (O sujo e o mal lavado) e o transcrevi em livro. Nele usei uma metáfora de um diálogo dos presidentes alagoanos reclamando sobre o incômodo de estarem tão perto do Salgadinho. Um amigo escreveu-me opinando trocar o advérbio negligentemente quando me referi aos usuários que se ligaram à rede de galeria de águas pluviais, por dolosamente, pois as ligações, antes de serem negligentes, são um crime ambiental positivado em nossa legislação. Faço agora a retificação e concluo que negligentes agem as autoridades públicas, as quais não se utilizam do poder de polícia que têm para impor a correção dos problemas. Usar o Salgadinho como um novo emissário é crime e atenta até contra os nossos mais lembrados vultos da história brasileira e alagoana. Sou capaz de ouvi-los protestando de uma só voz!