Opinião
Fake News e jornalismo de paz
Fake news foi escolhida como ?palavra? do ano em 2017 pelo dicionário britânico Collins. A popularidade da expressão ainda continua a crescer. Um dos motivos para essa disseminação exponencial foi o fato de Donald Trump mencioná-la tantas vezes, antes, durante e depois de sua campanha para a presidência. Hoje está na boca do povo. Antenada nesse contexto, a Igreja Católica expressou sua opinião, pois se sente na obrigação de iluminar as pessoas pelo reto caminho da verdade. E eis que o Papa, na última quarta, lançou uma mensagem com o tema homônimo ao título deste artigo. Sistematizada em 4 pontos, a exortação é principalmente dirigida aos profissionais da informação, relembrando que devem ser verdadeiros ?guardiães das notícias? e assim prestarem seu serviço à sociedade. Um fato é que com o advento das redes sociais digitais, o compartilhamento das notícias é muito fácil que antes. Quantas pessoas só têm conhecimento do que acontece à sua volta através do que recebem via Facebook, Whatsapp, Twitter e outros meios! Com um clique se passa a um colega, amigo ou até um desconhecido aquilo que chegou a mim. Este ?poder? se tornou também um perigo, simplesmente porque as pessoas não fazem filtros e parecem que têm um formigamento nos dedos que a impelem a repassar qualquer coisa recebida. A consequência é que uma notícia falsa não somente é capaz de causar um mal a uma pessoa ou instituição, mas pode levar à morte, como já aconteceu em nosso País. O que me tocou bastante foi o fato do Papa recordar a missão dos jornalistas. Sim, porque os profissionais desta área são obrigados a serem responsáveis ao informar, em virtude da formação que obtiveram. Contudo, o que se vê é uma crise no jornalismo. Como me chateia ler a produção noticiosa em nosso Estado em vários veículos de comunicação e ver fake news publicadas. Será que esta situação só mudará quando as sanções punitivas forem mais severas? É uma pena alguns tratarem o juramento de ética feito como a noite do baile da formatura, algo ligado ao tempo da universidade que ficou para trás e teve seu fim de modo breve. Sou cônscio que são muitos os dilemas em torno do newsmaking jornalístico. Contudo, a quem mais deveríamos exigir que sejam coerentes e responsáveis com a informação senão aqueles que a levam como dever de difusão para suas vidas?