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A Penit�ncia

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* A liturgia quaresmal do domingo passado, de maneira eloqüente, fez esta afirmação: ?Deus é rico em misericórdia?(Ef 2,4). É sobre este tema que desejo falar. Compreendemos a penitência em duplo aspecto: de dor pelo pecado, com o propósito de emenda e satisfação; ou, mais comumente, como atos de humilhação e mortificação para reparar o pecado. Ela nasce de um coração contrito e arrependido. Esta penitência interior do cristão pode ter expressões variadas. A Escritura Sagrada e os padres da Igreja insistem principalmente em três formas, que são apresentadas no Catecismo da Igreja Católica: O jejum, a oração e a esmola, ?que exprimem a conversão com relação de si mesmo a Deus e aos outros?. A parábola do filho pródigo, apresentada pelo evangelista Lucas, retrata admiravelmente a penitência como volta ao primeiro amor: ?Levantar-me-ei e voltarei a meu Pai?( Lc 15, 18). Este Pai é a expressão máxima do amor, porque Deus é amor e só quem ama é capaz de permanecer em Deus. O próprio Jesus a Simão, que o censura por acolher a mulher pecadora, afirma que o perdão nasce do amor misericordioso: ?Por esta razão, eu te digo, seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas aquele a quem pouco foi perdoado mostra pouco amor?. Em seguida, disse à mulher: ?Teus pecados estão perdoados? (Lc7, 47). Também diz à Madalena: ?Ninguém te condenou??. Disse ela: ?Ninguém, Senhor?. Disse, então, Jesus: ?Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante, não peques mais? ( Jo 8, 10-11). Na economia da salvação realizada por Cristo, os sacramentos desempenham um papel de máxima importância na vida da Igreja. A penitência, como sacramento, reconcilia os homens com Deus e a Igreja, como nos lembra o Concílio Vaticano II: ?Aqueles que se aproximam do Sacramento da Penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pelo pecado e a qual colabora para sua conversão com caridade, exemplo e orações? (LG 11/30). Portanto, para reconhecer e viver a misericórdia divina, o homem precisa de uma vivência cristã autêntica recebida na graça batismal e de um despojamento total no seguimento de Jesus Cristo. Esta mediação da misericórdia de Deus operada por Cristo em favor dos homens é realizada no ministério sacerdotal. Humanamente falando, o Sacramento da Penitência é, ao mesmo tempo, incômodo e constrangedor para o próprio penitente como para o ministro que o administra. Como reflexo dessa visão meramente humana, comfreqüênciaou vimos afirmações como estas: ?eu só me confesso a Deus, porque o padre é tão pecador quanto eu?, ou: ?eu me confesso diretamente com Deus?. A este respeito, respondemos com o autor da carta aos Hebreus: ?Todo sumo sacerdote, tirado do meio dos homens, é constituído em favor dos homens em suas relações com Deus. A sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. É capaz de ter compreensão por aqueles que ignoram e erram? (Hb 5,1-2). Importa relembrar que o Sacramento da Penitência compreende três atos do penitente e a absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são: o arrependimento ou a profunda dor de ter ofendido a Deus e ao próximo, a confissão ou declaração dos pecados ao sacerdote e o propósito de reparar o pecado por gestos concretos de penitência. Que nesta Quaresma redescubramos à luz da fé a riqueza do amor misericordioso do Pai em Jesus Cristo, na prática do Sacramento da Penitência. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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