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O Fausto tupiniquim

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Fausto é a obra-prima do poeta alemão Goethe e nela se revela a decadência do espírito humano ao se deixar seduzir pelo mal. A ação começa no Céu onde Mefistófeles, um demônio, faz uma aposta com Deus: diz que poderá conquistar a alma de Fausto, um sábio e favorito de Deus, que tenta aprender tudo o que pode ser conhecido. No Brasil, um Fausto Tupiniquim, homem dotado de ferrenha vontade e imensa capacidade, conquistou o seu povo com um discurso nitidamente populista e se utilizou, como nenhum outro, da capacidade de falar aos sonhos e desejos dos que nele acreditaram. Um mago do ilusionismo, dado o seu poder de mistificar e ludibriar, ele não iludiu e alcançou tão somente as massas, mas também a muitos que, não obstante os títulos acadêmicos que exibem, ainda navegam como zumbis na maré deste Messias de araque. Até mesmo além-mar, jornais e personalidades que, ignorantes da realidade brasileira acreditam ver no Fausto Tupiniquim a redenção de uma nação angustiada pelos crimes que ele próprio personificou, lhe conferem a credibilidade que jamais teve e terá. Como o Fausto de Goethe, aquele que possuía todas as ciências do mundo, mas revelou-se insatisfeito com o conhecimento que já detinha, o Fausto tupiniquim não se deu por satisfeito em exercer o poder máximo da Nação, a possibilidade de mudar conceitos retrógrados de governança, a chance de tornar mais justa e equânime esta imensa pátria. Isto não lhe bastou. Seduzido por Mefistófeles, celebraram e dançaram à farta na festa da Noite de Santa Valburga, junto com bruxas e demônios. Passou a fazer uso dos mesmos desvios que tanto condenara nos que o antecederam e então, não só os repetiu naquilo que tinham de pior, como os superou, criando parâmetros jamais imaginados de práticas lesivas ao povo que o elegeu, corrompendo e se corrompendo em níveis estratosféricos, como dantes nunca visto. Com o passar do tempo seus aliados foram expurgados do poder, a máquina de corromper se desestruturou, o modus operandi do sistema foi levado ao conhecimento público e sua máscara caiu apodrecida como os frutos que não vingam e são descartados em razão da própria natureza doentia. Então, tal qual Éris, a deusa grega da discórdia, nosso Fausto reage aos ditames de Themis, a deusa da justiça, com refletida rebeldia, incitando seus seguidores a promoverem a divisão e a desordem no seio da sua nação. Seu futuro, porém, está fadado ao cárcere tal qual tantos outros de sua triste trupe, e não obstante sua hiperbólica arrogância e vaidade, ele não passará para a história como o Fausto de Goethe, que ao final, consegue ir ao Paraíso.

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