Opinião
Os números da morte
Alagoas voltou a correr o risco de ser incluído no ranking dos estados mais violentos do País. Depois de sair das primeiras posições na escala de violência nacional, chegando a registrar queda nos índices de homicídios, o Estado fecha o ano de 2017 com aumento do número de assassinatos. Conforme estatística da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), 1.913 pessoas foram assassinadas em Alagoas no ano passado, o que equivale a uma média de 5,2 execuções por dia. Em 2016 foram registrados 1.878 homicídios, significando 5,1 mortes por dia. A divulgação dos números é uma importante ação do governo, que garante aos cidadãos informações reais. Porém, seria de grande valia para a sociedade que as estatísticas fossem apresentadas junto com a análise, do ponto de vista dos órgãos de segurança pública, das causas desse aumento. Por que se mata tanto em Alagoas? O que gera essa violência? São perguntas para as quais a sociedade quer resposta. A cada homicídio as autoridades da área afirmam que a maioria das mortes tem relação com o tráfico de drogas. As vítimas, dizem delegados e policiais, são usuários em dívida ou ainda traficantes que perdem a disputa com os concorrentes da atividade criminosa. O problema é que os números são assustadores! São inegáveis os esforços do poder público para dar combate à criminalidade e, especialmente, aos homicidas. Há investimentos na estrutura física do aparelho policial, com a aquisição constante de viaturas e armas. Mesmo assim, a violência dos assassinatos segue crescendo, como se fosse em vão todo esforço para combatê-la. No contraponto da visão oficial e de segurança pública, estudiosos da violência e suas origens certamente terão respostas para tais indagações. Eles dirão, com razão, que as mortes têm como vítimas moradores da periferia, a maioria homens jovens e negros, que sofrem com serviços públicos deficientes, com o desemprego, com a falta de lazer, e que estão no centro dos principais conflitos decorrentes da exclusão social. Dirão que são muitas e diversificadas as causas dessas mortes, que é preciso melhorar a qualidade da investigação criminal, e defenderão a identificação e punição dos homicidas. Dirão por fim que, além da ação repressiva, é preciso considerar a necessidade urgente de investimentos em políticas sociais. Delas depende a paz social desejada, mas que não pode ser alcançada enquanto milhares de mortes violentas continuarem sendo vistas apenas como números.