Opinião
Previdência e tensão
Esta segunda-feira, 5, marca a retomada dos trabalhos do Congresso Nacional, após o recesso parlamentar. O protocolo para o início das atividades do Legislativo estabelece uma sessão solene conjunta, reunindo Senado Federal e Câmara dos Deputados. Nela será lida a mensagem que o presidente da República tradicionalmente envia ao Congresso, apresentada uma visão geral do governo e as metas para o ano que se inicia. No texto, certamente o presidente Michel Temer marcará posição em defesa da reforma previdenciária. Desde meados de janeiro último, quando adotou uma estratégia mais agressiva em defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, popularizada como reforma da Previdência, Temer tem alertado para a necessidade de aprovação, sob o argumento de que somente assim será possível controlar o deficit nas contas públicas. Neste sentido, iniciados os trabalhos legislativos, o presidente volta a intensificar a ação de convencimento de sua base no Congresso, começando pela Câmara dos Deputados, onde precisa de no mínimo 308 votos para garantir a aprovação do texto que enviou ao parlamento. O problema é que o governo não convenceu os aliados de que, além de necessário ao controle das finanças públicas, o texto não tira direitos dos trabalhadores, sejam ativos ou aposentados. Nem mesmo seus líderes no Congresso estão seguros de um resultado favorável. Tanto que a semana termina com o vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), propondo o adiamento da votação, prevista para a semana do dia 19 próximo. ?A Câmara dos Deputados em nenhuma hipótese vai chegar a 308 votos com esse texto. Se colocar para votar, o governo vai ser derrotado?, disse o parlamentar, a jornalistas, em Brasília. Os parlamentares não querem se desgastar, considerando que é ano eleitoral e terão que enfrentar o eleitorado. Temem os funcionários públicos, que serão atingido, os sindicatos e centrais sindicais, que ameaçam protestos por todo o País, e os deputados da oposição, que prometem fazer uma guerra tanto na Câmara quanto no Senado para impedir que a PEC 287 seja aprovada. Mesmo com o reinado de Momo prestes a se iniciar, as discussões não param, revelando a tensão crescente que a proposta de reforma da Previdência provoca, com tendência clara de aumento da pressão política e social no País.