loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A filosofia do esporte

Ouvir
Compartilhar

Findo o carnaval, que este ano foi marcado por manifestações políticas em escolas de samba e blocos de rua (uma constatação de que o povo não é bobo), o país volta à rotina em meio a incertezas, mas sabendo que só o trabalho redime. O período de folia pode servir, também, para reflexão, se prestando a reavivar boas memórias. Em mensagem recebida, um amigo relembrou que há algum tempo, antes da era digital, os jovens dedicavam boa parte do tempo ao esporte. Vencer importava, podia ser uma pelada na praia ou uma disputa em quadra, porém uma característica era marcante: o respeito às regras. Um simples racha ? jogo de futebol, por vezes sem goleiro, com chinelos delimitando o espaço do gol ? era disputado depois que times definiam o que seria válido ou não. A imaginação fluía, contudo ninguém era tolo de trair o acordado. Esses princípios eram internalizados e aprimorados ao longo da vida escolar. Princípios que constituíam, e constituem, a essência, a filosofia da prática esportiva. De maneira intuitiva, aprendemos que vencer sem respeito é desonra, e que meios escusos não justificam fins nobres. Precisamos resgatar isso no Brasil de hoje. Quando governei Alagoas, construí escolas e ginásios e fiz questão de mantê-los abertos nos fins de semana. Sob orientação educacional, a prática esportiva foi incentivada. O governador Renan Filho tem seguido o mesmo caminho, atualmente, inclusive com as escolas em tempo integral, e o esporte é um dos pilares do projeto. A tríade município, estado, governo federal, todavia, precisa estar afinada para garantir a continuidade de ações que visam formar cidadãos e afastá-los da criminalidade. Quando da realização das Olimpíadas no Rio, imaginávamos que o legado seria a redenção de muitos jovens. O exemplo, o êxito seguido, a superação, serviriam para incentivar uma geração e conduzi-la para longe do caminho da marginalidade e das balas perdidas. Mas o governo não fez a sua parte. O sonho acabou. A vila olímpica está praticamente em ruínas e os patrocinadores viraram as costas. Retrocedemos, e devemos, agora, outra vez, definir as regras para voltarmos a vencer com honra. Fui atleta durante parte da minha vida. Na minha idade, o corpo não responde mais da maneira que eu gostaria aos exercícios e treinos, mas a mente continua ágil, antevendo movimentos, analisando os adversários e calculando vitórias baseadas no respeito, na tolerância, sabendo que uma derrota justa é melhor que ganhar mediante fraude. É importante que não nos afastemos disso.

Relacionadas