Opinião
Perdeu, comandante!
O avanço da criminalidade é visível em todo o País, e já não é mais possível às autoridades ignorá-la ou se omitirem diante da ousadia de criminosos que agem como se não houvesse Estado para proteger os cidadãos. Do pobre, nas favelas e periferias, aos artistas, aos mais ricos e até os gestores públicos, ninguém está a salvo. Em Alagoas, o comandante da Polícia Militar teve o carro, um veículo oficial, roubado, enquanto lanchava num estabelecimento situado no mesmo bairro onde está o Quartel Geral. Certamente o infrator não sabia a quem pertencia o veículo! Mas o caso serve para revelar a ousadia da bandidagem, que age com o sol a pino, em qualquer parte. Os criminosos estão nas ruas, atentos à oportunidade de cometer o ato de violência. E se forem dependentes químicos, maior o risco da vítima ser assassinada. Estudiosos da violência e especialistas em segurança reafirmam sempre a ideia de que o bandido não respeita nada. Nem polícia. Por isso, é preciso manter a calma e não reagir diante do marginal que chega repentinamente para tomar-lhe o carro, a moto, o celular, a bolsa, a mochila, uma corrente no pescoço, ou qualquer outro pertence. E quando até o comandante da Polícia Militar é vítima, a sociedade fica ainda mais temerosa, entristecida por ser obrigada a se conscientizar de que a tranquilidade de ir e vir está cada vez mais distante. De fato, a violência é um problema complexo que não pode ser enfrentado com soluções simplistas. Há que se considerar em qualquer análise as condições de vida dos criminosos. As estatísticas e estudos acadêmicos sobre o perfil deles revelam jovens, vulneráveis, sem acesso ao estudo, a esportes, que certamente não leem, sem esperança de um caminho profissional. São jovens a quem o tráfico ?abraça? com todos os tentáculos, oferecendo-lhes um revólver, uma moto e lhe apontando a rua. Só que isso não pode durar para sempre. A sociedade não pode ser obrigada a se acostumar com a violência, que já ultrapassou as fronteiras das chamadas grandes cidades, sendo vivenciada hoje em qualquer parte. Além de aumentar o número de policiais nas ruas, as autoridades precisam ir além do planejamento de segurança pública. Ao que parece, a resposta armada já não é suficiente para deter o crime. Pelo que se vê, seja no Rio de Janeiro, seja em Alagoas, as causas do recrudescimento da criminalidade têm também natureza socioeconômica, exigindo do poder público mudanças na forma de enfrentá-las.