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Nos bastidores...

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DOM FERNANDO IÓRIO * O mundo habitável trabalha com sete bilhões de pessoas. Sim, sete bilhões de genomas, de verbetes genéticos. Todos olham, interrogam, contam, narram, descrevem, exprimem. Todos compõem a ?comédia humana?, vivida em, pelo menos, dois níveis deferentes: o público (oficial, profissional, de fachada) e o privado (nas relações familiares, de amizades e sentimentos). Mostra-nos a experiência que o nível privado é o espaço onde melhor se revela o ser humano, sem a máscara do exibir-se em palco. O mais autêntico de nós mesmos só revelamos, por trás dos bastidores, quando nos despimos da roupagem oficial, quando não tememos pôr em risco a própria imagem, quando saímos de cena, quando deixamos os gestos ensaiados e as atitudes artificiais do jogo dramático. Só por trás dos bastidores, somos o que somos, sem máscaras. Só atrás dos bastidores deixamos de ser manipulados. Ofereceram-nos, ao longo da vida escolar, aquela educação preocupada em ensinar-nos como devêssemos agir em cena, em público, no palco. Raríssimas vezes, apresentaram-nos sugestões de como deveríamos viver nos bastidores. Não é, portanto, surpresa encontrarmos tantos vivendo em função da cena, persuadidos de que ausentar-se de lá seria mergulhar no ?sheol? bíblico, onde se vive uma existência de sombras. Como seria salutar deixássemos, no mundo das sombras, os malfeitores da sociedade sem exibi-los, a cada instante. Como está sem formação psicológica a maioria dos Meios de Comunicação e dos Setores de Segurança, colocando em cena figuras do narcotráfico, exibindo-os em público, por conta dos cofres públicos, quando o maior castigo, a maior sanção seria deixá-los no ?sheol? das sombras, do esquecimento, sem nunca neles falar!... No mercado de Atenas, em pleno dia, Diógenes, filósofo grego, andava com um lampião aceso na mão. A quem lhe inquiria o motivo, respondia: ?-ando à procura do homem?. O homem autêntico, sem máscaras, como era bom encontrá-lo. Pilatos, no jogo da consciência irresponsável, tentou apresentá-lo à multidão enfurecida: ?Eis o homem?. Não podemos negar. Nossa civilização é manipulada. Tornou-se civilizado palco de atores, onde cada qual procura representar o seu papel. Bons e maus atores se exibem, mas, nos bastidores, a certo momento, todos devem tirar a máscara, procurando ser o que sempre foram, ao menos, por alguns instantes, nos bastidores. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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