Opinião
As praças da cidade
Eu sempre gostei das praças como adorno e vida de uma cidade. Todos nós, hoje adultos, temos alegres recordações da praça de nossa infância. Ela fazia parte da nossa vida. O Parque Gonçalves Lêdo, onde ainda hoje mantenho o meu consultório, nunca se desligou de mim. Na minha infância lá ia eu de mãos dadas com meu avô passear entre os eucaliptos frondosos e assistir o encanto do bonde, o tranquilo bondinho que deslizava lentamente sobre os trilhos contornando o Parque. A vizinhança toda fazia da porta de suas casas e do Parque o seu lazer. O velho e o moço enchiam as praças do meu tempo aos domingos. Nas cidades do interior a praça faz parte da vida da população. É o segundo lar do aposentado, pois sentado no banco debaixo de uma árvore, ?conserta o mundo? com os companheiros e vê gente que passa. E assim ele vive. Além de minimizar os efeitos de uma vida sedentária, o passeio pela praça oferece ao idoso a possibilidade de estreitar seu vinculo com plantas, água, aves e pessoas. Sempre ele sai da praça com outro astral. Afinal, formamos juntos uma verdadeira teia de amizades. Por volta dos anos 70 as praças de Maceió eram lindas e bem cuidadas. Um dos segredos eram os homens que zelavam por elas ? eram os mesmos a vida toda. Até que se aposentavam ou morriam. A praça fazia parte da vida deles. A praça São Gonçalo, no Farol, onde residi nos primeiros sete anos de casado, era a vida das minhas filhas Andréa e Roberta. Seu Juca, o zeloso vigia da praça, era cheio de entusiasmo pela mesma: cuidava dos adornos feitos de plantas que a contornavam e de sua boa iluminação. Ainda hoje minhas filhas recordam sua infância vivida naquele logradouro. E assim eram todas as praças de Maceió, cheias de encanto. Qualquer que seja o prefeito eleito, caso deseje ganhar a simpatia da população, terá que voltar a sua atenção, entre outras coisas, para nossas praças, sabendo que elas fazem parte da felicidade e do bem estar das pessoas. O ex-prefeito Cícero Almeida foi muito zeloso com as praças de Maceió e, atualmente, Rui Palmeira tem sido notável na conservação e embelezamento das praças, que se transformaram em locais de esporte e lazer para a população. O turista, principalmente o que vem do sul, adora ver praças bem conservadas e a população sente-se feliz em passear com os filhos e netos em praças bem cuidadas. A praça, queiramos ou não, antes de ser um patrimônio nosso, exclusivamente nosso, dentro dos conceitos convencionais de geopolítica, na verdade, por ser uma esperança de qualidade de vida no meio moderno, é um direito de todos possuí-la e vivê-la. Há um poder mágico que proporciona um bem-estar imenso ao ser humano quando na sombra de um parque ouve o vento, olha uma folha que cai, sente a beleza das árvores; há um milagre no sorriso da criança que brinca na praça e que se perpetua para sempre. É um prazer reviver outros tempos, como é bom não querer esquecer só pensando nos tempos de outrora e na praça que nos viu nascer.