Opinião
Democracia exige ordem
Depois do caos que marcou os dias de carnaval naquela cidade, quando a população viveu uma onda de violência extrema, a semana termina com um decreto de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Uma decisão polêmica, que gerou manifestações contrárias e favoráveis. Para alguns, a medida é extrema, mas necessária. Os defensores da intervenção argumentam que a população carioca está sitiada, exposta a assaltos, roubos e a morrer brutalmente, a qualquer hora, em qualquer lugar. Até mesmo dentro de casa! No decreto de intervenção, assinado pelo presidente da República, Michel Temer, e pelo governador daquele estado, Luiz Fernando Pezão, o governo federal explica que o objetivo ?é pôr termo ao grave comprometimento da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro?. Nomeando interventor um general do Exército, o presidente assumiu integralmente o comando das forças de segurança, ou seja da Secretaria de Segurança, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e sistema carcerário até o dia 31 de dezembro de 2018. Os aliados do governo afirmam que a intervenção militar vai preservar o estado de direito, e jamais será uma ameaça à democracia. O inaceitável, alegam, é a demonstrada incapacidade das instituições policiais de cumprirem suas tarefas. ?Democracia exige ordem, ordem legítima?, disparou o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Mas há quem entenda a medida como um ato autoritário, e que não resolverá o problema da segurança no Rio. Os contrários, como lideranças da oposição, avaliam que o decreto é cortina de fumaça para esconder a incapacidade do presidente Temer de conseguir votos para aprovar a reforma da Previdência, e já anunciam voto contra o decreto, que precisa de aprovação do Legislativo. Argumentam que a situação no Rio é grave, mas a segurança pública não está sem controle. Seja como for, interessa à população carioca ou de qualquer outro estado com problemas semelhantes que o poder público responda com firmeza ao avanço dos criminosos. Ao cidadão resta esperar que a União e o Estado reajam para lhe garantir a tranquilidade de ir e vir, sem o temor de ser assaltado ou morto. É o que o governo promete ao povo do Rio de Janeiro!