Opinião
Ouvir muito e falar pouco...
Não tenho dúvidas: tudo por nós falado ou escrito tem uma interpretação individual, independente do pretendido. Torna-se, por isto, cada vez mais verdadeiro o pensamento de o homem ser o senhor de seus pensamentos, contudo eternamente responsável por eles, quando ditos ou escritos. Hoje, a força das redes sociais é não somente poderosamente volátil, como tem o arbítrio de construir castelos e demolir ídolos, em fração de segundos, principalmente em um país como o Brasil, onde seus filhos, por culpa, quase sempre, de uma escolaridade medíocre, contentam-se com a leitura das manchetes ou se debruçam sobre o teor da matéria, sem pesquisarem se a origem do escrito merece respeito e, mais que depressa, saem por aí fazendo juízo de valor, denegrindo imagens, transformando situações de fácil solução em incontornáveis. Vivemos mais um ano de eleições, quase gerais... Justo por isto, os que distinguirem entre ler e entender, ouvir e escutar (termos que, ao contrário do imaginado são bem diversos entre si) se depararão com enorme volume de lixo, escrito e falado, nos jornais e revistas, mas, principalmente, através da internet. O foco, infelizmente, é a imagem do ser humano que se deseja macular. Esta estratégia já dói, se praticada entre adversários, imaginemos quando a mesma é também amplamente usada no âmbito da própria casa ou agremiação, onde parceiros, de forma egoísta, tentam se destruir através de atitudes comumente conhecidas como fogo amigo, confirmando: quem possui um amigo destes não carece de ter inimigos. Apesar de reticente, ante muito do que leio, principalmente na web, acredito serem, algumas informações, úteis em certos momentos, pois, nada acontece sem motivo. Na pior das hipóteses, vem testar o quanto estamos despreparados para viver no meio da mentira, da inverdade e, sobretudo, do ciúme humano (o pior dos sentimentos). Neste ponto temos de possuir discernimento para, mesmos havendo armazenado a notícia nas prateleiras de nossa compreensão, não a divulgar, falando pouco e escutando muito. Se, quando alguém fala, ocupa posto de liderança, a responsabilidade é ainda maior, pois, o dito não pertence ao homem que se expressou ou escreveu, mas ao dirigente da instituição que representa. Colher informação independentemente de onde ela venha, é sinal de humildade, mas, saber utilizá-la, quando necessário, é uma dádiva. Mesmo falando pouco, tenho certeza que os atos praticados pelo homem são, a cada instante, interpretados de modo a interessar nossos interlocutores. Apesar de possuir boas intenções, a maneira como estes gestos são vistos depende dos olhos de quem os vê.