Opinião
Tudo posso, mas nem tudo me convém
Certa ocasião discuti com alguém que defendia as cenas quentes de sexo nas telenovelas. A pessoa não achava nada demais e assistia, inclusive com seus filhos e sua mulher. Eu o esperei terminar a frase e depois perguntei: e quando você tem relações com sua esposa seus filhos também estão no seu quarto? E ele, imediatamente, respondeu: Claro que não! Perguntei então: qual é a diferença? Os movimentos, a verbalização, gritinhos, suspiros são os mesmos, então não há diferença. Lembrei da frase de Paulo que diz: tudo posso, mas nem tudo me convém, sobretudo, aos meus filhos. Não é de hoje que a televisão brasileira vem transformando seus folhetins, até então ingênuos e despretensiosos, (por isso muito criticados) em uma diversão mais picante para agradar os telespectadores e, consequentemente ganhar mais anunciantes naquele horário. Coitado do SBT com suas novelas mexicanas e o programa do Chaves. Está claro, também, que esse mesmo público e anunciantes incentivaram a investida nos temas GLBT para atiçar a curiosidade. Quantas vezes foram anunciados os famosos beijos gays, que na última hora não aconteceram. Quanta gente foi dormir tarde esperando para ver no último capítulo de América o Bruno Gagliasso (junior) e Eron Cordeiro (Zeca) e dormiu frustrado porque não houve. Isto aconteceu em 2005 e examinem quantos colegas de trabalho seu (leitor) não comentaram no outro dia: ?Esperei e não aconteceu!? Muita gente que hoje critica a Globo e a chama de Lixo, patrocinou o mesmo lixo que hoje despreza. Vivemos num mundo onde até desenho animado é tendencioso. Quem não se lembra do reboliço que deu na animação infantil A Abelha Maia, onde aparecia propositalmente o desenho de um pênis em uma pedra? Mas isso é bobagem, assistam o Tio Avô, O Fantástico Mundo de Gumbal, entre outros, vejam os diálogos loucos, observem personagens caricatos, dublagem irritante, vozes dúbias, coléricas, sempre com uma segunda intenção. O que esperar de uma sociedade que se permitiu a isso? O que esperar de pais que entregam seus filhos a esse tipo de babás (TV). O que esperar de casais que fazem vídeos íntimos que por qualquer razão podem cair na web, como já aconteceu com o ator veterano Stenio Garcia em 2015? Não é uma questão de moralismo do autor levantar tais exemplos, é que esta mesma sociedade procura um culpado para atribuir uma situação que ela mesma configurou. Não são a arte nem a cultura os vilões dessa libertação social do mundo contemporâneo. Basta olhar a História. O nu artístico nunca foi imoral. Imoral é quem vive a procura de sensualidade e erotismo em tudo o que vê, seja em nome de Deus ou da política.