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Opinião

A Quaresma e a superação da violência

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Desde os primeiros séculos do cristianismo a Igreja procura preparar-se para a celebração anual da santa Páscoa com um período de quarenta dias de penitência, oração e esmola. É a Quaresma, tão querida do nosso povo. Neste tempo os cristãos rezam mais, procuram fazer penitência, sobretudo tirando algo da alimentação e, finalmente, ficam mais atentos à esmola, isto é, à prática do amor fraterno nas suas mais variadas expressões: é esmola perdoar, é esmola reconciliar-se, é esmola visitar um doente, um preso, ajudar a uma necessitado etc. O importante é que os cristãos procurem abrir o coração para o Senhor num verdadeiro desejo de conversão ao Cristo pelo combate espiritual. Importante também neste tempo é o combate de nossos próprios pecados, sobretudo aqueles que em nós são habituais, a ponto de se tornarem verdadeiros vícios. No Brasil, a Igreja propõe a cada Quaresma um tema ligado ao amor fraterno, à esmola quaresmal. É a Campanha da Fraternidade. Este ano o tema é a superação da violência. O lema que motiva a campanha é tirado do Profeta Isaías: ?Todos somos irmãos?. Não se trata, contudo, de uma paz qualquer nem de qualquer segurança, o que procuramos... Certamente, que a preocupação óbvia aqui é a violência que testemunhamos no nosso País. Com certeza, que a paz que se deseja é a paz social. Mas, a Igreja não pode ficar só nisso. Seria superficial demais! A verdadeira paz, fruto de toda outra, é aquele Shalom de que fala a Escritura: paz com Deus, na amizade com Ele, que se torna paz interior, paz com os demais, paz com a natureza, paz até com os distantes e os inimigos. Essa paz, esse Shalom é o próprio Cristo e só Ele dá essa paz, que o mundo não pode dar. Essa paz nasce da justiça. Mas, também aqui, não se trata só nem primeiramente da justiça social. Na sagrada Escritura, o primeiro sentido de justiça é a amizade com Deus, o cumprimento dos Seus preceitos, a abertura de nossa vida, de nossas famílias, de nossas instituições da nossa sociedade à Sua santa Presença! A equação é esta: justo = santo, amigo de Deus! Então, somente teremos uma paz verdadeira e duradoura na nossa sociedade com um processo verdadeiro e duradouro de conversão ao Senhor, de abertura de coração para Ele, que nos faz superar toda violência exterior e interior. Sem isso, não há verdadeira justiça diante de Deus e, consequentemente, não haverá paz. Então: Deus nos corações, Deus nas famílias, Deus nas escolas, Deus para os jovens, Deus para os pobres e para os ricos! Oxalá a Igreja, neste Tempo santo, consiga recordar ao nosso mundo que, sem a sincera conversão a Deus, o homem não consegue ter paz nem viver em paz nem construir uma paz social consistente. E que o Senhor nos conceda o seu Shalom, que é Jesus nos nossos corações!

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