Opinião
A ciência e a opinião
O momento político atual exige uma reflexão firme das lideranças de classe. O maior desafio da magistratura atual é enfrentar a opinião pública que vem sendo manipulada por parcela dominante da elite nacional. A exposição constante imposta ao Poder Judiciário é ação orquestrada para seu enfraquecimento. A quem interessa essa destruição nacional? Estão buscando assuntos que despertam o interesse público, para distorcer e atacar os magistrados, deixando ao largo a verdadeira função da magistratura nacional. Replicam matérias até a exaustão, desde que sirvam para desestabilizar o Poder Judiciário. A grande missão das associações é resgatar o orgulho e o respeito daqueles que dedicaram uma vida de estudos e reclusão para se entregar a uma carreira de estado. Não nos furtemos à realidade de que precisamos de alguns ajustes internos, o que, de nenhuma forma, compromete a grandeza de um Poder. Não podemos ser nivelados por uma minoria e fatos pontuais, que vem sendo extirpados com rigor pelos órgãos sensores. A magistratura nacional precisa ser resgatada. O ataque autofágico é o nosso maior inimigo. Aqueles que deveriam esclarecer ao grande público, muitas vezes se dobram aos holofotes e passam mensagens puramente midiáticas. O Congresso Nacional está em ebulição, passa por momento político difícil, sendo submetido a diversas reformas (trabalhista, previdenciária, fiscal etc.) e muitos de seus membros respondem a investigações ou processos judiciais, estabelecendo uma guerra contra o Poder Judiciário. Em um país com desigualdade social é muito fácil jogar para o grande público supostas regalias e supersalários da magistratura nacional, deixando de lado os esclarecimentos sobre sua necessidade e legalidade. Todas as verbas recebidas pelo Poder Judiciário são legais e devidas, inclusive o malfadado auxílio-moradia. Ao magistrado são impostas diversas restrições: não pode se envolver em política, não pode cumular outra função, exceto do magistério, tem por obrigação morar em sua comarca e por isso é prevista constitucionalmente a moradia funcional, instituto comum em diversas outras categorias de estado, como no Congresso Nacional, nas principais estatais do País e nas grandes empresas privadas. Quando o Estado não dispõe da residência funcional ela é paga em espécie. Será por isso que o País está em crise e vem sendo extorquido abertamente? Certamente não. Temos que assumir a realidade. O Poder Judiciário tem incomodado uma elite nacional, que nunca esteve tão perto das garras da justiça. Parcela da sociedade engole a isca e acredita que os juízes estão vivendo em realidade diferente, com recebimento milionário de subsídios. Não é verdade. Entre as categorias equivalentes, a magistratura é a que menos tem recebido. Discutir um assunto sem conhecimento é ignorância, e é a isso que assistimos sistematicamente. Matérias com finalidades específicas alardeiam notícias parciais. ?Na verdade, existem duas coisas: a ciência e a opinião; a primeira gera conhecimento, a segunda, ignorância?, Hipócrates. Essa divulgação faz com que mentiras pareçam verdades e verdades pareçam mentiras. Mais recentemente, fazendo verdadeiro festival midiático, a Associação dos Juízes Federais ? Ajufe atribuiu à Justiça Estadual a responsabilidade pelos maiores gastos no Judiciário, em estratégia equivocada e temerária, indo de encontro às estatísticas do CNJ, que afirma ser a Justiça Estadual responsável por 79,8% do acervo processual da magistratura nacional. E não podemos deixar de registrar que 1/3 (um terço) dos processos de competência da Justiça Federal tramitam na Justiça Estadual sem qualquer contrapartida financeira. Não podemos permitir que interesses internos de determinado segmento ponham em risco todo o trabalho associativo que busca tão somente manter e resgatar direitos legais obtidos por diversos outros segmentos. A Associação dos Magistrados Brasileiros ? AMB, em conjunto com a Associação Alagoana de Magistrados ? Almagis e demais associações estaduais tem tido papel fundamental em desmistificar a forma covarde como vem sendo atacada a magistratura nacional. Momentos difíceis temos vivido junto ao Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Conselho Nacional de Justiça. A verdade é que, na sua maioria, os magistrados estão cumprindo o seu papel e isso sempre incomodou e continuará incomodando. Mas o trabalho continuará firme e, com a magistratura fortalecida, quem ganha é o cidadão.