Opinião
As redes sociais como uma terra sem lei
O leitor já deve ter percebido que todos esses artigos publicados, até então, têm como objetivo: analisar o grau de permissividade do povo brasileiro com o mundo atual. Estamos dando concordância a tudo e participando cada vez mais, sem nenhum escrúpulo. Não obstante chegamos a um limite (se é que há limite) onde buscamos um bode expiatório, para justificar a nossa inércia, quando é a própria sociedade a maior responsável. Vejamos as redes sociais, incluindo o YouTube, são ou não uma terra sem lei? Quem pode dizer o que não é permitido fazer? A língua portuguesa nunca foi tão aviltada e o palavreado menos chulo. Qualquer um publica o que quer sem limite para qualquer idade, seja pornografia ou violência. Pior, são as fotos da degradação humana, às vezes motivadas por doenças terminais. Aquele que publica não está se importando com a condição do fotografado, mas com a glória de sua autoria e ao contrário, brinca com o público para ver quem olha ou não, exigindo, comentário, compartilhamento ou um amém. Nas redes sociais, somos corajosos, somos juízes, fazemos protestos, escrachamos qualquer autoridade e sem medo algum, criamos memes, caricaturas, enfim, somos, o que no mundo real não ousamos ser (e as vezes até somos piores). Talvez isto se justifique na prevaricação dos guardiões da lei, da moral e dos bons costumes. Palavras hoje em moda. Até as religiões perderam o respeito que sempre tiveram dos seus fiéis. Deus deixou de ser o centro das atenções e foi substituído por celebridades, sejam no catolicismo como no protestantismo. Cantores e pregadores, geralmente estereotipados ao modelo sensual dos artistas, com trânsito livre na mídia televisiva, o que faz do culto um show. Ser crente, por exemplo, parece uma piada, sobretudo, quando este defende os principais pastores e ?celebridades? do país, que são símbolo da enganação e do logro. Com a participação de atores, as redes sociais também satirizam a vida de pastores e ovelhas pentecostais, mesmo usando textos bíblicos debocham de sua linguagem fundamentalista. Mas, no mundo atual o que importa são as visualizações, seguidores e compartilhamentos. Estamos num caminho muito parecido com a propaganda nazista contra os judeus. Cada um escreve e diz o que quer. Ninguém reclama. Ninguém proíbe. Que, aliás, assim como os judeus, os muçulmanos também são vítimas desse desrespeito. Como exemplo a publicação de 2011 do jornal Charlie Hebdo contra Maomé. Se alguém me perguntar para que serve o estado de direito no Brasil eu não sei responder. Somos uma Nação cada vez mais dividida por cismas e a democracia é como uma figuração na Constituição Brasileira. Onde e quando o povo é soberano? Será que esse povo quer mesmo ser soberano? Duvido muito!