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Opinião

Noite de emoções

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Noite de quinta-feira passada em um auditório superlotado de um grande e aprazível hotel de nossa cidade: depois que um médico preceptor falou realçando a dedicação, o esforço e a competência com as quais aquele grupo de jovens médicas tinha consagrado três anos de suas vidas para se especializarem, uma das jovens médicas formandas, ao agradecer aos mestres que as orientaram naqueles duros anos, ao referir-se ao sacrifício que a sua ausência causara à família e principalmente aos pequenos filhos que corriam inocentemente pelo vasto salão, não mais controlou as lágrimas, e só conseguiu terminar a sua locução, porque a plateia, solidária e cúmplice, irrompeu em vibrantes palmas que a seguraram literalmente e conseguiram levá-la até finalizá-lo . Esse momento que ficará na memória afetiva de tantos, se repetiu incontáveis vezes naquela noite: ao todo, 26 médicos, depois de 6 anos de faculdade, alguns deles fazendo mais três anos de dedicação a uma residência médica básica, finalizaram as suas residências médicas de especialidades na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, delegada oficialmente com o título de Hospital de Ensino pelo Ministério da Educação. Médicos dos quatro cantos do Brasil: Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Amazonas, além dos conterrâneos, formados nas melhores faculdades de seus estados, para aqui vieram se aperfeiçoar, e naquele momento estavam completando mais uma etapa decisiva em suas sagas de aprofundamento e consolidação dos seus conhecimentos, para melhor poderem enfrentar os grandes desafios de uma saúde pública que não recebe e nunca recebeu das autoridades nacionais as mesmas virtuosas atenções e esmerados empenhos que se observaram naquela marcante noite . Os muitos médicos preceptores que se revezaram nas homenagens ali realizadas, demonstraram as suas sintonias finas com os seus formandos, e percebeu-se claramente que além dos seus reconhecimentos sinceros do docendo dicimus (ensinando aprendemos), eles repassaram amplamente para os seus discípulos que a Medicina, além de conhecimento e tecnologia, inquestionavelmente exige muita solidariedade e amor ao próximo. Concretamente, doações foram trocadas umbilicalmente entre mestres e discípulos durante todos os anos das residências médicas. No encerramento daquela briosa noite, a diretoria da Instituição, nas pessoas da Gerente de Ensino e Pesquisa, dra. Alayde Mendonça e do orovedor, dr. Humberto Gomes de Melo, dirigindo-se aos pais dos formandos, também oriundos dos quatro cantos do País, recordou-lhes a renovada emoção de há pouco tempo terem visto os seus filhos passando no vestibular, depois se formando, e ali concluindo mais uma etapa decisiva de suas vidas, assim como um único e indispensável pedido foi reiterado aos formandos: para que exercessem a Medicina com a dignidade, o respeito e a responsabilidade social que os pacientes e a arte hipocrática tanto merecem e que a tradicional Instituição tanto preza. Não é suficiente formar bons especialistas, mas, indispensável é, formar também bons cidadãos.

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