Opinião
Vencer o machismo passa pela Educação
O mundo tem passado por mudanças significativas nas relações entre os gêneros. As mulheres ao redor do mundo têm se levantado por igualdade no mundo do trabalho, pelo fim do assédio e contra a violência machista e de gênero. Esse levante feminista torna-se visível com os movimentos das atrizes de Hollywood, ao denunciarem diversos casos de assédio e violência que há décadas aconteciam sob a vista grossa de todas as grandes produtoras, dos agentes e empresários do ramo e até mesmo da mídia corporativa. A visibilidade dada pela ação de mulheres que, em certa medida, estão em condição de privilégio, é muito importante. Contudo, é necessário entender que essa movimentação decorre de um contexto em que as lutas se aprofundam em todos os lugares. Seja na Marcha das Mulheres Contra Trump, que levou três milhões de mulheres à capital americana para lutar contra a misoginia; seja das mulheres muçulmanas que lutam ainda pelas liberdades mais elementares; seja no Brasil, onde o processo político aponta para retirada de direitos previdenciários e trabalhistas que afeta fundamentalmente milhões de mulheres. O ponto fundamental e principal é que a secular opressão do patriarcado sob os nossos corpos e vidas, a partir de uma construção histórica que remonta ao incêndio da fábrica têxtil da cidade de Nova York ? gênese do Dia Internacional da Mulher (8 de março), encontra cada vez mais um adversário à altura, que são as mulheres organizadas para o enfrentamento. Nesse sentido, é importante valorizar cada conquista, sem esquecer os desafios enormes colocados. A criminalização do feminicídio no Brasil é uma conquista importante à medida em que tipifica os assassinatos por motivação misógina. Os números são gritantes: mais de 4 mil homicídios dolosos contra mulheres em 2017, sendo 946 tipificados como femicídios. Esses dados demonstram que as vitórias conquistadas até agora ainda não são suficientes para garantir uma vida à emancipação feminina. O caso recente, na cidade de Viçosa, onde a professora Angélica foi brutalmente assassinada por seu ex-marido, atinge a todas nós. Não é possível que qualquer homem ainda acredite que exista justificativa de tirar a vida de uma mulher pelo fato de ela ser mulher. É preciso mudar a cultura hegemônica da sociedade que deseduca homens, transformando-os em potenciais assassinos, legitimados por uma sociedade estruturalmente machista. Não nos permitiremos perder outras ?Angélicas, Joanas e Claudenices? para o machismo e a misoginia. Mudanças mais profundas precisam acontecer rapidamente. É fundamental que numa sociedade com tanta violência, a educação seja um instrumento de mudança. Os debates sobre gênero precisam estar presentes na escola como ferramenta para nos livrar definitivamente da violência e opressão de gênero.